Coma sardinha, pela sua saúde: Estudo mostra como alimentação rica em peixes-gordos é chave para manter a saúde do cérebro

Investigação revela que quem consome mais alimentos ricos em ómega-3 apresenta melhores capacidades cognitivas.

Pedro Zagacho Gonçalves

O consumo dos chamados ‘peixes gordos’ – peixes ricos em ómega-3, como a sardinha, o salmão, o arenque, a anchova, a cavala, a truta, o robalo ou o atum – ou de outras fontes de ácidos gordos ómega-3 (presentes também em algumas nozes, sementes ou frutos secos, como a chia ou a linhaça), ajuda a preservar a saúde do cérebro e a melhorar as capacidades de pensamento da meia-idade, revela um novo estudo norte-americano, agora publicado na revista científica Neurology, da Academia Norte-americana de Neurologia. Caso para dizer que, a sardinha, que não falta à mesa portuguesa, pode revelar-se um aliado poderoso na saúde do seu cérebro, já que é reconhecido como um dos peixes mais ricos em ómega-3: contém mais de 4790 mg de ómega-3 por cada 100 gramas.

Os investigadores observaram que os participantes que tinham níveis mais altos de ómega-3 no sangue entres os 40 e 50 anos apresentavam melhores capacidades cognitivas do que pessoas da mesma idade com níveis mais baixos deste ácido gordo, cujas vantagens do seu consumo para a saúde cardiovascular também são amplamente reconhecidas.

O estudo, que examinou mais de 2200 pessoas entre 40 e 50 anos, com uma idade média de 46 anos, estabelece que o consumo de ómega-3 na meia-idade está diretamente relacionado também com uma melhor estrutura cerebral. Esta verificação, afirmam os investigadores, ganha importância para a velhice, altura em que a saúde do cérebro se revela fator essencial para a qualidade de vida.
A equipa responsável pela investigação comparou os níveis de ómega-3 no sangue com ressonâncias magnéticas e “marcadores cognitivos de envelhecimento do cérebro”. Quem tinha níveis mais altos de ómega-3, apresentava maiores volumes hipocampais, relativo ao hipocampo, parte do cérebro responsável pela aprendizagem e memória.

Assim, os níveis mais altos deste ácido gordo observaram-se proporcionais a um melhor capacidade de pensar, melhor habilidade de entender conceitos complexos ou desconhecidos ou melhor uso da lógica e da razão.

“Estudos observaram esta associação nas populações mais velhas. A contribuição que aqui fazemos é que, mesmo em pessoas mais jovens, se a dieta delas inclui alguns ácidos gordos ómega-3, já estão a proteger o cérebro da maioria dos indicadores de envelhecimento cerebral que observámos em pessoas de meia-idade”, explica ao The Independent uma das responsáveis pelo estudo, Claudia Satizabal, docente no Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas, nos EUA.

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Apesar dos resultados positivos, os investigadores explicam que as conclusões são, para já exploratórias, já que os pacientes estudados não tinham historial de demência e eram todos de meia-idade. Ainda, as associações feitas entre o consumo de ómega-3 e a melhor estrutura cerebral e função cognitiva diferiram mediante o genótipo APOE, gene que é um dos apontados como responsáveis pelo surgimento de demência ou Alzheimer.

“Estudos adicionais em mais populações de meia-idade são necessários para corroborar as evidências encontradas”, termina o estudo.

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