A Europa está a começar a atravessar uma nova onda da Covid-19 à medida que chega o clima mais frio, com os especialistas a alertar que a fadiga da vacina, assim como alguma confusão sobre os tipos de vacinas disponíveis, vai provavelmente limitar a aceitação da dose de reforço outonal.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), há centenas de subvariantes da Ómicron que estão a ser rastreadas pelos cientistas, apesar de as subvariantes BA.4 e BA.5, que dominaram durante o verão, estarem ainda por trás da maioria das novas infeções. Segundo a OMS, os casos na União Europeia atingiram 1,5 milhões de positivos na última semana, um aumento de 8% em relação à semana anterior, apesar de uma queda dos testes de despiste realizados.
Globalmente, os números de casos continuam a diminuir. Mas as hospitalizações em muitos países do bloco dos 27, assim como na Grã-Bretanha, aumentou nas últimas semanas.
Até 4 de outubro, os internamentos hospitalares pela Covid-19 com sintomas aumentaram quase 32% em Itália nos últimos 7 dias, enquanto os internamentos de cuidados intensivos aumentaram cerca de 21% em comparação com a semana anterior, segundo dados da fundação científica independente ‘Gimbe’. Na mesma semana, as hospitalizações pela Covid-19 na Grã-Bretanha registaram um aumento de 45% no espaço de uma semana.
As vacinas adaptadas à variante Ómicron estão disponíveis na Europa desde stembro, com dois tipos de vacinas já preparadas para as subvariantes BA.1, BA.4 e BA.5. As autoridades europeias têm concentrado as campanhas de reforço para idosos e pessoas com sistemas imunológicos comprometidos – segundo os especialistas em saúde pública, a ‘escolha’ da vacina de reforço tem causado um aumento da confusão entre os utentes.
“Para aqueles que podem estar menos preocupados com o risco, a mensagem de que tudo acabou, juntamente com a falta de qualquer grande campanha publicitária, provavelmente vai reduzir a aceitação”, alertou Martin McKee, professor de saúde pública europeia da London School of Hygiene and Tropical Medicine. “No geral, receio que a aceitação seja um pouco menor.”
“Outro fator de confusão é que uma proporção bastante alta da população também pode ter tido um episódio da Covid-19 nos últimos meses”, referiu Penny Ward, professora de medicina farmacêutica no King’s College London, que garantiu que as pessoas podem sentir, de foram errada, que ter completado a vacinação primária completa e depois contrair a Covid-19 pode significar imunidade.
Foram entregues 40 milhões de doses da vacina de reforço na UE, segundo dados do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), no entanto as doses semanais de vacinação foram de entre 1 e 1,4 milhões semanais em setembro, em comparação com os entre 6 e 10 milhões por semana registados há um ano.
A sensação de que a pandemia da Covid-19 terminou criou uma falsa sensação de segurança. “Deve haver alguma complacência em que a vida parece ter voltado ao normal – pelo menos com relação à Covid e as pessoas agora têm outras preocupações financeiras e relacionadas à guerra”, admitiu Adam Finn, presidente do ETAGE, um grupo de especialistas que aconselha a OMS sobre doenças imunopreveníveis na Europa.











