Vladimir Putin deu, na passada 6ª feira, mais um passo na sua ameaça à UcrÂnia e à paz na região com a anexação oficial das quatro regiões que foram submetidas a um referendo que ‘determinou’ a sua vontade de pertencer à Rússia. Mas, o que significa isso?
O presidente russo foi bastante claro, no seu discurso, ao garantir que os habitantes dessas repúblicas “serão cidadãos russos para sempre”, o que implica que se a Ucrânia continuar a sua ofensiva para recuperar o território agora anexado, estaria a atacar cidadãos russos. De facto, estão incluídas nas novas repúblicas territórios que nem sequer são controlados militarmente.
Putin defendeu que responde ao desejo de “milhões de cidadãos”, que têm o “direito” de pedir a adesão à Rússia em virtude do princípio da autodeterminação dos povos, que, como salientou, também está contemplado pela própria ONU.
O que Putin procura com esta ação?
Em primeiro lugar, tenta deter a ofensiva militar ucraniana e assim deixar de perder os territórios inicialmente conquistados. As tropas russas foram expulsas de grande parte da região de Kharkov. Mas, obviamente, a anexação destas quatro regiões torna-as, segundo a doutrina de Putin, território russo – assim, qualquer ataque nessas áreas será considerado por Moscovo como um ataque ao próprio país, o mesmo como se estivessem a bombardear São Petersburgo, Rostov ou Moscovo.
Se somarmos a esta anexação a ameaça nuclear de Putin, não podemos descartar que um ataque ucraniano a essas regiões possa ter como resposta as armas atómicas, como parte de uma guerra que começou por ser ofensiva mas transformou-se agora em defensiva.
Mas estas ações podem ter uma segunda leitura: a possibilidade de que, após a anexação oficial destes quatro territórios, Putin tente consolidar as suas conquistas e tenta procurar uma estabilização das novas fronteiras, acabando assim com a invasão e renunciando à conquista de mais territórios.
Assim, a Rússia pode estar a tentar entrar em negociações com Kiev e com o Ocidente para impedir que a Ucrânia avance. No seu discurso, Putin exortou a Ucrânia a sentar-se à mesa das negociações, embora tenha avisado de que a entrega do controlo das quatro regiões não estaria na mesa.
A Rússia atingiu, no mesmo dia que assinou os tratados, a Ucrânia com mísseis e drones suicidas, naquele que foi o mais pesado bombardeamento nas últimas semanas. Os especialistas avançam que Putin vai provavelmente usar ainda mais o seu stock cada vez menor de armas de precisão e aumentar os ataques como parte de uma estratégia para escalar a guerra a um ponto de destruir o apoio ocidental à Ucrânia.
Com a Ucrânia a prometer recuperar todo o território ocupado e a Rússia a prometer defender os seus ganhos, ameaçando o uso de armas nucleares e mobilizando mais 300 mil soldados, as duas nações estão numa rota de colisão cada vez mais crescente.










