Ucrânia: como vai evoluir o conflito depois da anexação dos quatro territórios pela Rússia?

Presidente russo foi bastante claro, no seu discurso, ao garantir que os habitantes dessas repúblicas “serão cidadãos russos para sempre”

Francisco Laranjeira

Vladimir Putin deu, na passada 6ª feira, mais um passo na sua ameaça à UcrÂnia e à paz na região com a anexação oficial das quatro regiões que foram submetidas a um referendo que ‘determinou’ a sua vontade de pertencer à Rússia. Mas, o que significa isso?

O presidente russo foi bastante claro, no seu discurso, ao garantir que os habitantes dessas repúblicas “serão cidadãos russos para sempre”, o que implica que se a Ucrânia continuar a sua ofensiva para recuperar o território agora anexado, estaria a atacar cidadãos russos. De facto, estão incluídas nas novas repúblicas territórios que nem sequer são controlados militarmente.

Putin defendeu que responde ao desejo de “milhões de cidadãos”, que têm o “direito” de pedir a adesão à Rússia em virtude do princípio da autodeterminação dos povos, que, como salientou, também está contemplado pela própria ONU.

O que Putin procura com esta ação?

Em primeiro lugar, tenta deter a ofensiva militar ucraniana e assim deixar de perder os territórios inicialmente conquistados. As tropas russas foram expulsas de grande parte da região de Kharkov. Mas, obviamente, a anexação destas quatro regiões torna-as, segundo a doutrina de Putin, território russo – assim, qualquer ataque nessas áreas será considerado por Moscovo como um ataque ao próprio país, o mesmo como se estivessem a bombardear São Petersburgo, Rostov ou Moscovo.

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Se somarmos a esta anexação a ameaça nuclear de Putin, não podemos descartar que um ataque ucraniano a essas regiões possa ter como resposta as armas atómicas, como parte de uma guerra que começou por ser ofensiva mas transformou-se agora em defensiva.

Mas estas ações podem ter uma segunda leitura: a possibilidade de que, após a anexação oficial destes quatro territórios, Putin tente consolidar as suas conquistas e tenta procurar uma estabilização das novas fronteiras, acabando assim com a invasão e renunciando à conquista de mais territórios.

Assim, a Rússia pode estar a tentar entrar em negociações com Kiev e com o Ocidente para impedir que a Ucrânia avance. No seu discurso, Putin exortou a Ucrânia a sentar-se à mesa das negociações, embora tenha avisado de que a entrega do controlo das quatro regiões não estaria na mesa.

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A Rússia atingiu, no mesmo dia que assinou os tratados, a Ucrânia com mísseis e drones suicidas, naquele que foi o mais pesado bombardeamento nas últimas semanas. Os especialistas avançam que Putin vai provavelmente usar ainda mais o seu stock cada vez menor de armas de precisão e aumentar os ataques como parte de uma estratégia para escalar a guerra a um ponto de destruir o apoio ocidental à Ucrânia.

Com a Ucrânia a prometer recuperar todo o território ocupado e a Rússia a prometer defender os seus ganhos, ameaçando o uso de armas nucleares e mobilizando mais 300 mil soldados, as duas nações estão numa rota de colisão cada vez mais crescente.

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