Uma aplicação para smartphone que permite detetar a Covid-19 nas vozes da pessoas atingiu um nível “de precisão potencialmente alto” através da Inteligência Artificial (IA), apontaram esta segunda-feira os especialistas, citados pela televisão britânica ‘Sky News’ – um modelo de IA tem 89% de precisão e é barato de usar, o que significa que pode ser adotado em países de baixo rendimento, onde os testes de PCR são mais caros.
Os resultados podem ser fornecidos em menos de um minuto e são considerados uma “melhoria significativa” na precisão dos testes de fluxo lateral, ou antigénio, revelaram os cientistas.
A infeção pela Covid-19 normalmente afeta o trato respiratório superior e as cordas vocais e, portanto, os investigadores decidiram analisar as mudanças nas vozes através da utilização de um modelo de IA para detetar a presença do coronavírus. “Esses resultados promissores sugerem que gravações de voz simples e algoritmos de IA ajustados podem alcançar alta precisão na determinação de quais pacientes têm infeção pela Covid-19”, revelou Wafaa Aljbawi, investigador do Instituto de Ciência de Dados da Universidade de Maastricht, nos Países Baixos.
“Tais testes podem ser fornecidos gratuitamente e são simples de interpretar. Além disso, permitem testes remotos virtuais e têm um tempo de resposta inferior a um minuto. Poderiam ser usados, por exemplo, nos pontos de entrada para grandes aglomerações, permitindo uma triagem rápida da população.”
Os dados foram usados na aplicação ‘Covid19 Sounds’, que incluiu 893 amostras de áudio de 4.352 pessoas saudáveis e não saudáveis. Uma técnica de análise de voz – chamada de espectrograma de Mel – identificou diferentes características de voz para “decompor as muitas propriedades das vozes dos participantes”. “Os resultados mostraram uma melhoria significativa na precisão do diagnóstico da Covid-19 em comparação com testes de última geração, como o teste de fluxo lateral.”
“O teste de fluxo lateral tem uma sensibilidade de apenas 56%, mas uma taxa de especificidade mais alta de 99,5%. Isso é importante, pois significa que o teste de fluxo lateral está a classificar de forma erradas as pessoas infetadas como negativas para a Covid-19 com mais frequência do que o nosso teste”, frisou o responsável.
“Em outras palavras, com o modelo IA, poderíamos perder 11 em cada 100 casos que espalhariam a infeção, enquanto o teste de fluxo lateral perderia 44 em cada 100 casos”, finalizou.
O modelo de IA também está a ser usado numa aplicação para prever exacerbações na doença pulmonar obstrutiva crónica, cujos resultados serão apresentados, esta segunda-feira, no Congresso Internacional da Sociedade Respiratória Europeia em Barcelona.












