Irão: EUA reconhecem dificuldades em garantir segurança no estreito de Ormuz

O chefe do Estado-Maior norte-americano, Dan Caine, descreveu hoje o estreito de Ormuz como “um ambiente taticamente complexo”, reconhecendo implicitamente que não será possível impedir, a curto prazo, os ataques iranianos contra navios.

Executive Digest com Lusa

O chefe do Estado-Maior americano, Dan Caine, descreveu hoje o estreito de Ormuz como “um ambiente taticamente complexo”, reconhecendo implicitamente que não será possível impedir, a curto prazo, os ataques iranianos contra navios.


“É um ambiente taticamente complexo”, respondeu o general Caine a uma questão sobre a proteção dos navios no estreito de Ormuz durante uma conferência de imprensa com o secretário da Defesa, Pete Hegseth, em Washington.


O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu a possibilidade de escoltas a navios no estreito, mas o secretário da Energia, Chris Wright, disse na quinta-feira que as forças norte-americanas ainda não tinham condições para o fazer.


Wright admitiu que tal pudesse acontecer até ao final de março.


O bloqueio do estreito de Ormuz obriga os países do Golfo Pérsico a reduzir drasticamente a produção, diminuindo a oferta mundial em petróleo em 7,5%, de acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA).

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A situação fez disparar os preços do petróleo para valores acima dos 100 dólares por barril, o que não acontecia desde 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia.


Caine admitiu que serão necessárias outras ações militares antes de se poder equacionar a opção de uma operação para garantir a segurança no estreito por onde passa 20% do comércio petrolífero mundial.


“Alcançámos progressos, mas o Irão ainda conserva a capacidade de infligir danos às forças aliadas e ao tráfego marítimo comercial, por isso, o nosso trabalho nesta frente prossegue”, afirmou Caine.

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Disse que a estratégia passa agora pela destruição dos ativos militares iranianos no estreito de Ormuz.


“Tornámos prioritário atacar a atividade de minagem do Irão, as bases navais e os armazéns, além dos mísseis que podiam influir na situação no estreito”, declarou o general, também citado pela agência de notícias espanhola Europa Press (EP).


Caine anunciou que hoje será o dia “mais intenso no que se refere a ataques” na zona.


Disse também que já foram atacados mais de 6.000 alvos e que as incursões continuam “a cada hora que passa”.


Hegseth disse que as forças iranianas estão “a agir em absoluto desespero” no estreito de Ormuz e assegurou que os Estados Unidos não vão permitir “um bloqueio do fluxo de bens comerciais”.

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“Algo com que já estamos a lidar”, afirmou sobre os ataques a petroleiros e navios mercantes naquela via estratégica.


Hegseth disse que o volume de mísseis disparados pelo Irão caiu 90% e o de drones 95% desde o inicio da guerra, em 28 de fevereiro.


Referiu que mais de 15 mil alvos foram atacados pelas forças aéreas dos Estados Unidos e de Israel, um número “superior a mil alvos diários”.


“Nenhuma outra coligação de países no mundo é capaz de alcançar” tal cifra, afirmou o chefe do Pentágono.


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