A austeridade está de volta? Economistas apontam dificuldades e diminuição do poder de compra

Portugal enfrenta um período de incerteza. Uma “tempestade perfeita” composta pelo chumbo de um Orçamento de Estado, consequentes eleições, pandemia, o cenário geopolítico mundial e, principalmente, uma taxa de inflação recorde no país trouxeram à discussão um termo muito conhecido dos tempos da Troika, “austeridade”.

André Manuel Mendes

Portugal enfrenta um período de incerteza. Uma “tempestade perfeita” composta pelo chumbo de um Orçamento de Estado, consequentes eleições, pandemia, o cenário geopolítico mundial e, principalmente, uma taxa de inflação recorde no país trouxeram à discussão um termo muito conhecido dos tempos da Troika, “austeridade”.

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De acordo com os economistas, há uma preocupação com o poder de compra dos portugueses, visto que os aumentos dos salários não acompanham o aumento da taxa de inflação.

“Objetivamente não há diferença entre cortar nos salários ou os salários crescerem abaixo da inflação… e neste caso se temos uma inflação e os salários a não acompanharem a inflação, há uma redistribuição do rendimento contra os trabalhadores”, diz o economista Luís Aguiar Conraria em declarações à ‘SIC Notícias’.

Por sua vez, o economista Luís Duque sublinha que o facto de os preços não serem uniformes em todos os bens e serviços, faz com que “aqueles que menos ganham estão mais ancorados a preços que têm aumentado mais, como é o caso da energia e dos bens alimentares”, bens que os mais pobres não conseguem eliminar, e que pesam muito na sua carteira.

Para Luís Duque, faria sentido aumentar um pouco mais os salários, não de acordo com a inflação, mas a num nível intermédio.

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Por exemplo, na Administração Pública, com a inflação a rondar os 4% e aumentos nos salários de 0,9%, num ordenado de 1000 euros líquidos a perda do poder de compra ronda os 30 euros por mês, explica a ‘Sic Notícias’.

Já o setor privado, se não houver aumentos, um trabalhador com um salário de 1000 euros perde mensalmente 40 euros de poder de compra por causa do aumento dos preços.

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