O research da KPMG indica que a adopção desta nova tecnologia potenciará a geração de 10,2 mil milhões de euros de valor incremental na economia nacional, no período de cinco anos, com particular destaque para cinco sectores de maior impacto: produção industrial, saúde conectada, transportes e logística inteligentes, monitorização ambiental e gaming. Em entrevista à Executive Digest, Diogo Sousa, Partner e Global Client Lead Partner of Telco, explica como é que a consultora pode ser a parceira ideal das empresas para aumentar a competitividade e produtividade.
O 5G é uma tecnologia que vai levar as nossas vidas para outro nível. Considera que as empresas nacionais estão conscientes do carácter diferenciador que o 5G pode ter nos seus negócios?
Durante os próximos três a cinco anos, a tecnologia 5G, na sua definição mais lata e abrangente, será o principal trampolim para a continuidade da aceleração do processo de transformação digital da actividade económica. As empresas dos diversos sectores de actividade, desde a produção industrial ao retalho, saúde ou produção agrícola e pecuária – passarão a usufruir das características que fazem desta tecnologia um facto-relevante: elevadas velocidades de transmissão de dados, latência ultra-baixa e número de conexões simultâneas no “mesmo” local. São estas as características que permitem desenhar novos casos de uso com inovação, como a sensorização de equipamentos, a automação fabril e a realidade aumentada para suportar processos de produção e de manutenção.
Apesar das empresas nacionais estarem conscientes do carácter diferenciador que o 5G terá, não estarão ainda mobilizadas e estruturadas para maximizar o valor potencial da sua introdução em conjunto com outras tecnologias como a computação na nuvem, o machine learning ou a realidade aumentada. Estamos numa fase inicial de adopção destas tecnologias nos diferentes processos de negócio e é nossa expectativa que o ritmo de adopção continue a aumentar.
O desenvolvimento acelerado de novas soluções e processos com introdução das mais recentes tecnologias em contextos empresariais é complexo e exigente. Para aproveitar ao máximo esta oportunidade, acreditamos que, para além da necessária alocação de recursos humanos e financeiros, as entidades que participam no ecossistema terão de adoptar modelos de desenvolvimento mais ágeis e colaborativos.
Qual o papel da KPMG neste contexto e como pode ser a parceira ideal das empresas?
A KPMG tem vindo a colaborar com os seus clientes nas diferentes fases e etapas de adopção destas tecnologias na medida dos desafios e dos objectivos específicos. Agrupamos os serviços relacionados com 5G nos seguintes domínios:
Connected and Powered Enterprise: apoio directo aos processos de transformação digital das organizações, através do desenho e implementação de modelos operativos melhorados, que potenciem a utilização das novas tecnologias em conjunto com as alterações organizacionais necessárias. A geração de valor e potenciação de crescimento através da adopção de tecnologia tem de ser ajustada às necessidades e ao contexto da cada cliente. Não existe uma receita para todos focada apenas em tecnologia, temos de conseguir antecipar modelos de negócio que prosperem, apesar das disrupções que vivemos e das alterações de expectativas e comportamentos dos clientes finais;
Trusted Enterprise: apoio na salvaguarda que os novos modelos de negócio e as tecnologias introduzidas são seguras e resilientes. A dependência de ambientes tecnológicos cada vez mais evoluídos obrigam ao reforço de todas as componentes que contribuem para a confiança, segurança e resiliência das comunicações, armazenamento e processamento de todo o tipo de dados;
ESG Impact: acreditamos que a introdução das novas tecnologias terá um contributo relevante na adopção de modelos de operação sustentáveis. Neste sentido, a KPMG ajuda os seus clientes a navegar na complexidade e dinâmica dos programas, políticas e regulamentos associados ao ESG, ajudando-os a identificar riscos e oportunidades relacionados com as alterações climáticas e sustentabilidade em matérias tão diversas como estratégia, financiamento e incentivos, cadeias de fornecimento e operação, reporting e assurance.
Quais as inovações e os serviços já existentes que irão reinventar-se aproveitando a alta velocidade e a baixa latência do 5G?
O 5G irá trazer uma resposta imediata ao conectar milhões de pessoas e equipamentos ao mesmo tempo. Sem falhas, com inteligência e com segurança melhorada.
O research da KPMG indica que a adopção desta tecnologia potenciará a geração de 10,2 mil milhões de euros de valor incremental na economia nacional, no período de cinco anos, com particular destaque para cinco sectores de maior impacto: produção industrial, saúde conectada, transportes e logística inteligentes, monitorização ambiental e gaming. Para o efectivo desbloqueio deste benefício é essencial que o ecossistema nacional desenvolva capacidades, competências e propostas nas diferentes áreas da cadeia de valor: conectividade, serviços de valor acrescentado, hardware e software.
Estão a decorrer um conjunto de pilotos e parcerias entre os principais operadores de telecomunicações nacionais e diversas entidades, que abrange desde os serviços de Realidade Virtual e Realidade Aumentada (RV/RA) em ambiente industrial, para manutenção e reparação de equipamentos, até à construção de corredores rodoviários para veículos autónomos entre cidades ibérias, através da tecnologia 5G.
De que forma o 5G vai revolucionar a user/customer experience?
A pandemia e o período de isolamento social contribuíram em grande medida para acelerar a mudança nos hábitos de compras, através de novas formas de comércio e serviços em plataformas online.
O 5G proporciona uma experiência ainda mais imediata, imersiva, interactiva e real, em resultado de velocidades até 100 vezes mais rápidas, a tempo de resposta (latência) ultrabaixo e à sua capacidade de ligar tudo e todos, numa escala inimaginável há poucos anos.
Acreditamos que o sector de entretenimento, como o da música/ concertos, será aquele que o 5G irá trazer benefícios mais evidentes, transformando a forma como as pessoas se divertem e exploram o mundo, conjugando a vivência real com experiência digital via RV/RA.
Por outro lado, as empresas terão de evoluir e de se adaptar às novas exigências dos consumidores ao nível de user/customer experience, desenvolvidas neste período de pandemia, em que as expectativas para a prestação de serviços com elevado nível de fluidez e de forma híbrida, entre o ambiente online e offline, implica que as empresas abracem com rapidez e forma sustentada a transformação digital dos seus negócios.
Quais são os desafios que o 5G traz à cibersegurança?
A importância da cibersegurança e a manutenção da segurança e privacidade dos dados dos consumidores tem vindo a crescer e não é uma preocupação exclusiva da tecnologia 5G.
Apesar do 5G trazer, nas suas especificações nativas, um reforço de aspectos de segurança quando comparada com as gerações anteriores de comunicações móveis, o aumento exponencial da utilização e dependência dos serviços de comunicações nos nossos trabalhos e nas nossas casas evidencia bem a importância que todas as entidades da cadeia de valor devem ter neste domínio.
Num estudo desenvolvido pela KPMG junto dos CEO das principais empresas de telecomunicações internacionais, a cibersegurança está no Top3 (ver esquema), em conjunto com Supply Chain e Talento, na lista de desafios e obstáculos para o crescimento e para a capacidade de capturar as oportunidades de mercado.
Os eventos recentes, ao nível local e global, são igualmente demonstrativos do imperativo de alocação de mais recursos à prevenção, detecção e resposta ao cibercrime.
A KPMG acredita numa actuação articulada dos diferentes actores e entidades responsáveis, tanto públicas e privadas, no reforço da segurança.
Quais as áreas que mais podem beneficiar da chegada da quinta geração das redes móveis?
Cada vez mais torna-se imperativo que o sector das telecomunicações tenha um papel fundamental na recuperação/desenvolvimento económico e contribua para o crescimento do tecido empresarial nacional, sendo que o poder do 5G em combinação com a computação distribuída (edge computing) serão elementos chave para desbloquear os benefícios financeiros destas tecnologias, criando valor económico significativo para as entidades que colaboram neste ecossistema.
A implantação da tecnologia 5G e o lançamento comercial de serviços assentes nesta tecnologia irá proporcionar um maior nível de colaboração entre as empresas que constituem a cadeia de valor, contribuindo para resolver desafios de negócios existentes, para a reformulação e optimização das cadeias de distribuição.
A KPMG, através do seu Centro de Excelência de Telecomunicações, tem vindo a apoiar, de uma forma crescente, alguns dos principais players do sector, quer no mercado nacional quer a nível internacional. Estas mesmas colaborações com os nossos clientes têm permitido identificar os casos de uso com maior potencial de transformação em cinco áreas de elevada relevância, tendo a tecnologia 5G como principal driver (ver caixa). Acreditamos também que um dos catalisadores do desenvolvimento será ao nível das infra-estruturas, com a adopção de modelos operativos e tecnologias que possibilitem a implementação e a operação de redes de grande dimensão, com elevados níveis de eficiência e de rentabilização dos activos, algo que será possível alcançar através de modelos colaborativos e de partilha de infra-estruturas passivas e activas.
O 5G pode acelerar a recuperação das empresas no pós-pandemia?
Sem dúvida! Com o impacto da crise pandémica da COVID-19 a ter diferentes escalas a nível mundial, indústrias e sectores de actividade têm recorrido aos diferentes serviços digitais para manter a execução das suas actividades de forma a mitigar os impactos nas operações. No pós-pandemia, o 5G irá continuar a potenciar os serviços directos ao consumidor de áreas de actividade como o Comércio Electrónico, a Telemedicina e os Serviços Financeiros Electrónicos.
Por outro lado, a Internet das Coisas e a sensorização em massa, associada ao 5G, irá revolucionar modelos operativos actuais (ex. cadeias logísticas, de distribuição, de fabrico, entre outras), ao mesmo tempo que permite introduzir novos modelos de negócio.
Tudo isto serão alavancas para a recuperação e crescimento das empresas no curto e médio prazo, tenham as empresas a capacidade de se adaptar, evoluir, transformar e colaborar!

Este artigo faz parte do Caderno Especial “5G / O Mundo da Conectividade”, publicado na edição de Fevereiro (n.º 191) da Executive Digest.














