Ações europeias
Pierre Veyret, analista técnico da ActivTrades, explica que a maioria dos índices europeus negociaram significativamente abaixo no início do último dia de uma semana volátil, depois das quedas nas ações asiáticas e nos futuros dos EUA.
Os setores que tiveram os maiores ganhos ontem estão entre os perdedores de hoje, com as mineradoras, montadoras e ações de viagens e lazer a liderar as quedas.
O apetite pelo risco está amplamente em baixa e o clima de negociação cauteloso reflete a incerteza global que os investidores enfrentam atualmente. O sentimento de mercado está a ser influenciado pelas políticas monetárias, pelos resultados corporativos desiguais, pelo impacto da Ómicron nas economias, bem como pelas crescentes tensões geopolíticas entre os EUA e a Rússia devido à situação com a Ucrânia.
De facto, sempre que um sinal de “cautela” é emitido, os investidores tendem a reduzir a sua exposição a ativos mais arriscados e buscam refúgios mais seguros como metais preciosos, títulos e moedas como o iene japonês e o franco suíço, e isso é exatamente o que está a acontecer agora. Dito isso, vemos a ação do preço desta semana nas ações como uma correção temporária do mercado, em vez de uma queda real e os índices provavelmente alcançarão a sua tendência de alta de longo prazo assim que parte ou toda a incerteza atual desvaneça.
Wall Street
Marco Silva, consultor da ActivTrades, dá conta que a sessão de quinta-feira estava destinada para ser de algum alívio para o indicadores técnicos, com uma tendência positiva na abertura que se estendeu até à hora de almoço e que permitiu ao Nasdaq atingir um ganho de quase 2%, recuperando assim do maior prejuízo relativo que tem sofrido recentemente com a subida dos juros, contudo e tal como tinha sucedido na quarta-feira os ursos não deram descanso e ainda antes da parte final do dia começaram a preparar a investida que na última hora empurrou Wall Street para um vermelho já carregado.
O índice tecnológico inverteu por completo o cenário matinal e acabou por continuar na onda da maior fraqueza relativa, averbando um deslize de 1.3%, nos mínimos do dia, enquanto o S&P500 terminou a ceder -1.1%, como de costume entre o Nasdaq e o Dow Jones, com o industrial a perder “apenas” -0.89%, num claro indício de que a correção derivada do aumento dos juros ainda não está completamente incorporada nos portefólios.
Mas não é só, o facto de estar para breve o fim das compras de ativos por parte do FED, terminando a parte da inflação da bolha de liquidez, assim como a perspetiva de uma redução desse balanço a partir de meados deste ano, está a afetar a dinâmica interna do binómio oferta e procura, que durante muito tempo tem andado desequilibrada devido à injeção de dinheiro no sistema, nomeadamente no segmento das obrigações, que acabou por desviar montanhas de capital para outros sectores com maior risco, sejam eles tradicionais como as ações ou exóticos, como as criptomoedas.
Daí que é natural exista uma reconfiguração dos preços, com uma correção que tecnicamente ainda tem espaço para correr, até porque está para já mais concentrada no Nasdaq, só que como se constatou ontem no anúncio da Peloton sobre um congelamento da produção de alguns produtos por falta de procura, poderá estar a germinar um reajuste na economia, como uma retração dos consumidores em virtude do aumento inusitado dos preços.
Análise da ActivTrades














