Em setembro de 2021, foram produzidos em Portugal 21.006 veículos automóveis o que representou uma queda de 35,7%, face ao mês homólogo de 2020. Esta forte contração na produção automóvel reflete essencialmente a crise dos semicondutores, revelam os dados recolhidos pela Associação Automóvel de Portugal, a que a Executive Digest teve acesso.
Em termos acumulados nos nove meses de 2021 saíram das fábricas instaladas em Portugal 200.731 veículos, ou seja, mais 8,1% do que em igual período do ano anterior.
A informação estatística relativa ao ano de 2021 confirma a importância que as exportações representam para o sector automóvel já que 97,5% dos veículos fabricados em Portugal têm como destino o mercado externo, o que contribui, de forma significativa, para a balança comercial portuguesa.
A Europa continua a ser o mercado líder nas exportações dos veículos fabricados em território nacional – com 87,3% – com a Alemanha (16,7%), França (14,3%), Itália (13,4%) e Espanha (12,1%) no topo do ranking.
Relativamente à montagem de veículos automóveis em Portugal, em Setembro de 2021 foram montados 18 veículos pesados, tendo representado um decréscimo de 50%, face a igual mês do ano de 2020.
Em termos acumulados, nos nove meses de 2021, a montagem de veículos pesados apresentou uma queda de 71%, face igual período do ano anterior, representando 156 veículos montados em 2021.
De janeiro a setembro de 2021 foram exportados 25% dos veículos montados em Portugal, representando 39 unidades. A Alemanha é o único destino destes veículos exportados.
Hélder Pedro, secretário-geral da ACAP, explicou em entrevista à Executive Digest, que estes números são justificados pela falta de apoios atribuídos pelo Governo aos compradores de automóveis, como é o caso do programa de incentivo à renovação do parque automóvel, em vigor em países como a Alemanha e Espanha e que permite que na entrega de um veículo antigo seja abatido o preço do carro novo.
A proposta do Governo para o Orçamento de Estado de 2022 não aceitou nenhuma das medidas apresentadas pelo setor.
Por outro lado, o Governo quer aumentar o Imposto sobre Veículos (ISV) e o Imposto Único de Circulação (IUC), no próximo ano, atualizando-os à taxa de inflação, que é de 0,9%, segundo a proposta de Orçamento do Estado.
O executivo de António Costa prevê, com esta medida, que a receita de ISV tenha uma recuperação em 2022, aumentando 29 milhões de euros face a 2021 (+6%), totalizando 481 milhões de euros.
Também as taxas de IUC serão atualizadas em 2022 à taxa de inflação, prevendo-se que a receita aumente 13 milhões de euros (+3%), quando comparada com 2021, para um total de 409,9 milhões de euros.
O secretário-geral da ACAP lembra ainda que “a crise dos semicondutores também contribuiu em grande parte, para o agravamento destes números”.
Questionado pela Executive Digest se Portugal pode ocupar o primeiro lugar da tabela dos países da UE com maior queda no merca automóvel, durante o último trimestre deste ano, Hélder Pedro é claro “há bastante probabilidade que tal aconteça”. Os números de setembro são publicados nos próximos dias.




