Projecto FST Novabase: Quando a engenharia se alia à gestão de recursos

Ao longo desta semana, a Automonitor publicou diariamente um artigo relacionado com o Projecto FST Novabase, desenvolvido pelos alunos de Engenharia do Instituto Superior Técnico (IST) e que se destina à participação na Fórmula Student, competição universitária a nível europeu. Este é o quarto e último desses artigos, cada um com uma temática diferente. Um projecto com a envergadura e mais-valias técnicas como aquele montado pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa para a Fórmula Student exige também uma importante colaboração com algumas das principais áreas da indústria nacional. Mas exige também, por parte dos elementos do Projecto FST Novabase, um planeamento estrito de todas as fases de desenvolvimento e de produção de forma a apresentar custos controlados, algo para o qual este programa também serve de aprendizagem em condições reais. Mesmo com as limitações de orçamento, que está longe de ser ilimitado, os alunos do IST beneficiam da proximidade e cooperação com várias áreas da indústria nacional, que se associam aos esforços da equipa para a construção e desenvolvimento do FST 06e para a edição deste ano da Fórmula Student. “Por parte das empresas portuguesas, nós temos uma ligação muito forte à indústria dos moldes e isso advém do facto de terem muita maquinação…

Pedro Junceiro

Ao longo desta semana, a Automonitor publicou diariamente um artigo relacionado com o Projecto FST Novabase, desenvolvido pelos alunos de Engenharia do Instituto Superior Técnico (IST) e que se destina à participação na Fórmula Student, competição universitária a nível europeu. Este é o quarto e último desses artigos, cada um com uma temática diferente.

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Um projecto com a envergadura e mais-valias técnicas como aquele montado pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa para a Fórmula Student exige também uma importante colaboração com algumas das principais áreas da indústria nacional. Mas exige também, por parte dos elementos do Projecto FST Novabase, um planeamento estrito de todas as fases de desenvolvimento e de produção de forma a apresentar custos controlados, algo para o qual este programa também serve de aprendizagem em condições reais.

Mesmo com as limitações de orçamento, que está longe de ser ilimitado, os alunos do IST beneficiam da proximidade e cooperação com várias áreas da indústria nacional, que se associam aos esforços da equipa para a construção e desenvolvimento do FST 06e para a edição deste ano da Fórmula Student.

“Por parte das empresas portuguesas, nós temos uma ligação muito forte à indústria dos moldes e isso advém do facto de terem muita maquinação CNC de que nós precisamos”, começa por referir João Paulo Monteiro, responsável da área de Marketing do Projecto FST Novabase, explicando a linha de cooperação que existe entre muitas das empresas e este esforço universitário.

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“Ao nível dos apoios, temos alguma facilidade para arranjar patrocínios que nos forneçam materiais e serviços, o que é fruto, provavelmente, do facto de muitos patrões de empresas mais cotadas da indústria em Portugal serem bastante humildes e gostarem de apoiar jovens que estão a tentar fazer alguma coisa. São pessoas que na maior parte dos casos formaram elas próprias a empresa e vêem isso em nós. Penso que é isso que acontece com muitos dos nossos patrocinadores”, acrescenta aquele mesmo elemento da equipa, para quem a maior dificuldade reside no lado financeiro.

“Este ano, levámos um corte de 40% no orçamento disponível, o que torna alguns processos mais difíceis, mas de um modo geral, não nos podemos queixar, de todo, de falta de apoio porque temos tido muito apoio de empresas, mesmo durante aqueles tempos de crise, o que é fantástico”, assume.

Custos inevitáveis

Por outro lado, destaca que muitos dos componentes, em especial os eléctricos, se revelam bastante dispendiosos, sendo que muitos deles carecem da possibilidade de receber patrocínios para a sua aquisição. Exemplo disso são as baterias de polímeros de lítio para as quais, segundo João Paulo Monteiro, é impossível arranjar patrocinadores para a sua aquisição.

“A razão é simples: mais de 95% da indústria de manufactura de baterias está na China e nós lidamos directamente com as empresas chinesas, porque se o fizermos através de empresas europeias são-nos pedidas margens gigantes. Além disso, as células são muito caras, mesmo vindas da China. Para adquirir uma bateria falamos de um valor na ordem dos 4000 euros, só em células e sem o resto dos componentes”, indica.

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“Depois, existem componentes periféricos que devido à sua especificidade é difícil arranjar patrocínio e que são muito caros, porque não têm grande produção, como por exemplo os travões, que seriam pouco rentáveis se fossem produzidos internamente, além de não terem os mesmos resultados dos que estão disponíveis no mercado. Também na área da electrónica, existem componentes individuais que são baratos, mas quando se adicionam resistências alcança-se facilmente um valor de centenas de euros, como sucede com os conectores, embora contemos com o apoio de uma das maiores empresas da área, que é a TE Connectivity. Por fim, temos os pneus, que são para jantes de 10 polegadas e, como tal, são tão invulgares que se uma empresa fizesse um patrocínio específico para a Fórmula Student não iria conseguir vender pneus a mais ninguém Ou seja, temos ainda grandes custos, que não estão cobertos pelos patrocínios”, aponta, referindo a título de exemplo que o conjunto dos 12 ‘stacks’ de baterias eléctricas é de 4000 euros.

Saídas para o futuro

Qualquer conversa com alunos universitários tem que redundar na inevitável questão das saídas profissionais e expectativas. Ainda que Portugal não disponha da mesma dimensão que alguns dos outros países europeus, a capacidade de desenvolvimento e de empenho para a obtenção de determinados objectivos colocam o nosso país num patamar de destaque internacional pela qualidade apresentada. Talvez por isso, tanto João como a sua colega da área de marketing, Beatriz Lopes, frisem que o nosso país também apresenta diversas saídas profissionais interessantes.

“Depende do que se quiser fazer. Em Portugal faz-se incrivelmente mais do que se conhece ou do que é passado para fora. Há um conhecimento bastante forte de engenharia e o contacto que temos com as empresas que nos apoiam é suficiente para perceber que há muito a ser feito que ninguém conhece e que não é publicitado”, refere João Paulo Monteiro, com discurso seguro.

“A indústria dos moldes é um exemplo disso, porque no pico da crise tentou-se a nível internacional mover esta indústria para a China e pouco tempo depois voltou em força para Portugal porque se percebeu que o que era feito aqui tinha muita qualidade e o custo era adequado. E tal como na indústria dos moldes, vemos também noutras empresas muito desenvolvimento feito em Portugal”, sustenta, embora admita que noutros países as infra-estruturas e as próprias empresas possam ser maiores e mais diversificadas.

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A provar a qualidade dos projectos feitos em Portugal e, mais em concreto, nas oficinas e salas do Instituto Superior Técnico de Lisboa, basta frisar que alguns dos alunos de equipas passadas foram recrutados por equipas de Fórmula 1 ou ligadas à indústria automóvel após participação na Fórmula Student. Numa coisa, contudo, João e Beatriz coincidem em termos de opinião: “Chegar à Fórmula 1 é mais provável estando na Fórmula Student do que não estando e isso é um facto. Mas lá fora existe talvez um pouco mais de ligação entre a universidade e a indústria e também um pouco mais de indústria ligada ao sector automóvel”.

O FST 06e será o terceiro esforço puramente eléctrico do Projecto FST Novabase, culminando um processo de aprendizagem que se iniciou com o monolugar 04e em 2009. O monolugar deste ano contará com dois motores eléctricos desenvolvidos pela Siemens, um para cada roda do eixo traseiro. A apresentação formal do monolugar da equipa liderada por Rui Miranda decorrerá já no final deste mês, a 28 de Julho, com a primeira competição a ter lugar apenas a 20 de Agosto. Para este ano prevêem-se participações nas provas de Hungria, Espanha e Itália.

PODE LER TAMBÉM OS DOIS PRIMEIROS ARTIGOS DEDICADOS A ESTE PROJECTO:

Projecto FST Novabase: Um palco para desenvolver competências (1)

Projecto FST Novabase: Desenvolvimento ‘made in Portugal’ (2)

 Projecto FST Novabase: Fiabilidade e inovação essenciais para o sucesso

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