João Gouveia, o único sobrevivente da tragédia do Meco, disse esta terça-feira que sobreviveu graças à sua experiência de bodyboard. O jovem, que se encontra a ser ouvido no julgamento Cível, em Setúbal, contou como tudo aconteceu.
«Levámos com uma onda lateral e do que me recordo fui empurrado para a zona de rebentação. Lembro-me de não ter pé e de começar a levar com todas as outras ondas em jeito de máquina de lavar», referiu. «Quando fui engolido pela onda, evitei nadar contra a corrente e mantive a calma até sentir os pés na areia», afirmou fazendo referência à experiência de bodyboard.
O jovem diz que não sabe como explicar em concreto como se conseguiu salvar. «Sei que consegui livrar me da capa que tinha ao pescoço», afirmou dizendo ainda que «tentei puxar a mão da Carina e fiquei mais dentro do mar».
O Dux deu ainda detalhes sobre como tudo se desenrolou, durante o fim de semana, antes do acidente. Carina Sanchez, tratou de encontrar alojamento no Meco, Tiago Campos tratou da alimentação. «Todos tínhamos funções e tarefas para garantir aquele fim de semana, quando chegámos à casa no Meco jantámos conversámos sobre o objetivo daquele fim de semana», explicou.
João Gouveia disse ainda que na noite em que chegaram à casa no Meco, todos ingeriram álcool. Vinho, amêndoa amarga, cerveja e wisky foram as compras feitas pelos jovens. No dia seguinte, adiantou, foram para uma zona de descampado fazer algumas atividades de praxe, sendo que uma das ideias partiu de Tiago Campos.
«O Tiago é que despoletou essa ideia de fazer X coisa em X segundos. Rebolar e rastejar de uma ponta à outra do sitio onde estávamos em X minutos e eu alinhei», explicou em tribunal. O jovem disse ainda que na noite da tragédia, Tiago e Catarina é que quiseram sair para passear.
A tragédia no Meco ocorreu em 15 de dezembro de 2013 e, após a descoberta do corpo de Tiago Campos, um dia depois, foi aberto um inquérito às circunstâncias da morte dos seis jovens, que viria a ser arquivado em julho de 2014 e reaberto em outubro do mesmo ano, quando o “dux” João Gouveia foi constituído arguido.
Em março de 2015, o Tribunal de Instrução Criminal de Setúbal decidiu não enviar o processo-crime para julgamento e o Tribunal da Relação de Évora, após recurso da defesa, manteve a decisão, sublinhando que as vítimas eram adultas e não haviam sido privadas da sua liberdade durante a praxe, pelo que não havia responsabilidade criminal sobre João Gouveia.
Em 2016, os pais das vítimas avançaram então com as seis ações cíveis contra o único sobrevivente e a Universidade Lusófona, tendo o pai de Tiago Campos apresentado também uma queixa ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH).














