Operação Marquês: Tribunal pede à Ordem dos Advogados que nomeie defensor para José Sócrates

O tribunal que está a julgar o processo Operação Marquês ordenou hoje que a Ordem dos Advogados seja notificada para nomear um defensor para José Sócrates, para fazer face às renúncias sucessivas de mandatários do antigo primeiro-ministro.

Executive Digest com Lusa

O tribunal que está a julgar o processo Operação Marquês ordenou hoje que a Ordem dos Advogados seja notificada para nomear um defensor para José Sócrates, para fazer face às renúncias sucessivas de mandatários do antigo primeiro-ministro.

“Uma vez que a situação de renúncias sucessivas ao mandato por parte da mesma defesa prejudica de sobremaneira a realização da justiça, a fim de assegurar a continuidade da audiência sem mais sobressaltos, entende-se justificar-se a nomeação de defensor especificamente para os presentes autos pelo tempo necessário, para garantir os direitos de defesa [de José Sócrates]”, sustentou a presidente do coletivo de juízes.

Susana Seca acrescentou que o advogado que vier a ser designado pela Ordem terá 10 dias para se inteirar do processo e sublinhou que esta terá de assegurar que “o defensor nomeado está disposto a assegurar a defesa” do chefe de Governo entre 2005 e 2011.

A magistrada interrompeu, em seguida, o julgamento, sem data para ser retomado.

A advogada que tinha sido nomeada há cerca de duas semanas por José Sócrates renunciou hoje, em audiência de julgamento, à defesa do antigo primeiro-ministro, alegando não lhe ter sido dado tempo suficiente pelo tribunal para preparar a defesa do ex-governante.

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Sara Leitão Moreira, que tinha pedido cinco meses para se inteirar do caso mas obteve apenas 10 dias, sucedeu na defesa do antigo primeiro-ministro a João Araújo, falecido em 2020, e a Pedro Delille e a José Preto, que renunciaram ao mandato em, respetivamente, 04 de novembro de 2025 e 13 de janeiro de 2026, com o julgamento, iniciado em 03 de julho de 2025, a decorrer.

Esta é a terceira vez que o julgamento é interrompido devido à renúncia de um advogado de José Sócrates, que desde meados de setembro tem estado ausente das audiências, com a autorização do tribunal e tal como os restantes arguidos.

Nas duas ocasiões anteriores, o ex-governante foi representado em várias sessões por um advogado oficioso, tendo a defensora de escala chamada hoje estado presente apenas para que o tribunal determinasse a notificação da Ordem dos Advogados para designar um mandatário.

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José Sócrates, de 68 anos, está pronunciado (acusado após instrução) de 22 crimes, incluindo três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e o ‘resort’ algarvio de Vale do Lobo.

No total, o processo conta com 21 arguidos, que têm, em geral, negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que globalmente lhes são imputados.

Os ilícitos terão sido praticados entre 2005 e 2014 e, no primeiro semestre deste ano, podem prescrever, segundo o tribunal, os crimes de corrupção mais antigos, relacionados com Vale do Lobo.

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