Normalidade plena a nível mundial? Só em 2024, alerta especialista

Nicholas Christakisem, médico e sociólogo, diretor do Laboratório Humano da Universidade de Yale, acredita que o mundo só vai regressar à normalidade plena pós pandemia da Covid-19 em 2024, contudo o processo de recuperação será gradual.

Simone Silva

Nicholas Christakisem, médico e sociólogo, diretor do Laboratório Humano da Universidade de Yale, acredita que o mundo só vai regressar à normalidade plena pós pandemia da Covid-19 em 2024, contudo o processo de recuperação será gradual.

Em entrevista ao ‘El Confidencial’, o especialista refere que  «até 2022, não podemos deixar de usar máscaras e o distanciamento social deve manter-se durante pelo menos mais um ano. Embora em 10 meses alguns países alcancem imunidade de grupo graças às vacinas, isso não significa que no próximo ano teremos deixado para trás as consequências da pandemia», alertou.



«Teremos de dar tempo para nos recuperarmos do ‘choque’ psicológico e económico que o vírus supõe. Levará pelo menos mais alguns anos para nos recuperarmos das cicatrizes da pandemia», o que não deverá acontecer totalmente antes de 2024, adiantou, citado pelo jornal espanhol.

O responsável considera que «existe uma boa probabilidade de que a Covid-19 continue connosco, como aconteceu com outros vírus mesmo depois da vacina, nomeadamente o sarampo, por exemplo. Tal vai reduzir a sua letalidade, ainda que, de vez em quando haja pessoas que adoecem e morrem. Também acontece com a gripe», explicou.

«Podemos alcançar a imunidade de grupo em 2022, mas isso não significa que o vírus desaparecerá para sempre», ressalvou sublinhando que «todas as pandemias deixam cicatrizes. E eu acho que quando a imunidade chegar, ainda teremos que passar por algum tipo de duelo. Levará pelo menos alguns anos para recuperarmos do impacto psicológico e económico» do vírus, revelou o responsável ao ‘El Confidencial’.

Para Christakisem «o luto não deve ser vivido apenas pela morte de tantos milhões de pessoas, não só pela perda de familiares e amigos, ou pela perda da saúde que pode deixar sequelas entre os que sobrevivem ao vírus, até porque uma pandemia é a perda coletiva de um modo de vida».

«Não podemos encontrar-nos para comer num restaurante, não podemos ir ao cinema ou viajar como antes. E essa perda também leva tempo. E então, quando a normalidade for retomada gradualmente, o mundo será diferente», acrescentou o sociólogo.

O especialista indica ainda que «nem a economia vai recuperar-se imediatamente, nem as pessoas vão ocupar os restaurantes de repente. Viveremos uma espécie de período intermediário de cura. Acredito que o que podemos chamar de normalidade ou pós-pandemia começará em 2024», concluiu.

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