Reino Unido e UE chegam a acordo. Esboço do documento do Brexit foi aprovado

O Reino Unido e a União Europeia chegaram  hoje a um acordo.

Simone Silva

O Reino Unido e a União Europeia (UE) chegaram hoje finalmente a um acordo, depois de meses de impasse nas negociações. A confirmação é de autoridades oficiais próximas do assunto, citadas pela ‘Bloomberg’, que garantem que o esboço do acordo já foi aprovado.

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Os negociadores estão dar os «últimos retoques» no pacto comercial, segundo as mesmas fontes, que falaram sob condição de anonimato. Ainda assim, há quem alerte para o facto de que o anúncio do acordo oficial ainda possa demorar algumas horas.

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, conversaram pessoalmente nos últimos dias, mantendo vários telefonemas, numa tentativa de última hora para chegar a um acordo antes de o Reino Unido sair do mercado único no final do mês.

Se o acordo oficial se confirmar, tal vai pôr fim a quase cinco anos de negociações frequentemente tempestuosas, desde que o Reino Unido votou pela saída da UE em 2016 e lançou as bases para continuar a comercializar e colaborar com o bloco no futuro.

Centenas de camiões parados em torno do porto de Dover, no sul da Inglaterra, no início desta semana, foram um aviso sério das possíveis consequências de terminar o período de transição comercial sem um acordo entre as duas partes.

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As negociações foram retomadas esta quarta-feira na sede da comissão do Berlaymont em Bruxelas, com discussões focadas no acesso que os barcos da UE terão às águas britânicas e se a UE terá o direito de impor tarifas retaliatórias caso o Reino Unido limite esse acesso no futuro.

Recorde-se que no início da tarde desta quarta-feira, foi avançado que o acordo comercial do Brexit poderia ser alcançado ainda esta noite, segundo um diplomata sénior da UE, citado pela agência Reuters.

A mesma fonte revelou que a decisão estava «iminente» e poderia acontecer esta noite, com as duas partes a chegar a um acordo, depois de meses de um impasse em assuntos centrais, como a questão da pesca, que sempre foi um entrave nas negociações.

O diplomata, que falou sob condição de anonimato, disse à Reuters que os Estados membros da UE teriam que aprovar uma aplicação provisória do acordo com efeitos a partir de 1 de janeiro, porque não há tempo suficiente para que seja ratificado pelo Parlamento Europeu.

A mesma informação sobre um acordo iminente foi avançada também hoje pelo principal correspondente político do jornal The Sun, Harry Cole. «Os negociadores britânicos e da UE esperam alcançar o acordo de duas mil páginas esta noite ou amanhã de manhã», disse o responsável.

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Negociações prolongaram-se durante 11 meses 

As negociações duram já há muito tempo. Nos últimos 11 meses as discussões centraram-se no modelo do futuro relacionamento, sobretudo económico, sendo o prémio a continuação do acesso mútuo aos mercados sem taxas aduaneiras nem quotas, estatuto que a UE nunca deu a qualquer outro país terceiro.

A estratégia do executivo do primeiro-ministro, Boris Johnson, foi sempre aumentar a pressão sobre Bruxelas para obter cedências, primeiro rejeitando uma extensão da transição, e portanto, das negociações, e depois criando vários momentos de tensão, como a proposta de legislação interna que violaria o direito internacional.

A Lei do Mercado Interno, destinada a regulamentar o comércio interno britânico fora das regras europeias, acabou por ser aprovada sem as cláusulas controversas que se iriam sobrepor a partes do Acordo de Saída da UE, em particular relativamente à Irlanda do Norte.

O Governo britânico também voltou à mesa depois de uma breve interrupção das negociações em outubro, mostrando que o interesse num acordo era maior do que a ameaça de avançar para uma solução «tipo australiana», ou seja, sob as condições gerais da Organização Mundial do Comércio.

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Pendentes continuam questões relacionadas com os apoios estatais e as medidas de controlo e de retaliação se a divergência regulatória do Reino Unido conferir uma vantagem competitiva às empresas britânicas que negoceiam no Mercado Único.

Na questão das pescas persistem lacunas nas quotas e espécies atribuídas aos barcos europeus, a área das águas a que teriam acesso e um período transitório até à introdução de novas condições. Espera-se que tudo seja ultrapassado hoje ou amanhã, com a iminência de um acordo comercial.

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