A Europa pode seguir-se ao Reino Unido e aprovar uma vacina contra a Covid-19 nas próximas semanas. Com este enorme obstáculo agora provavelmente ultrapassado, o próximo desafio será perceber se a população se mostra recetiva à toma da vacina, ou pelo contrário está cética a esse respeito.
Os especialistas dizem que até 70% da população tem de ser vacinada para que o vírus seja definitivamente eliminado. Mas, qual será o nível de confiança que os europeus têm em qualquer vacina e será que estão dispostos a tomá-la quando estiver disponível?
Segundo a ‘Euronews’ vários estudos mostram que os europeus são dos mais céticos relativamente à toma de uma vacina contra a Covid-19. Uma pesquisa recente com mais de 13.400 participantes em 19 países (Portugal não incluído), descobriu que os polacos, por exemplo, foram os que mostraram maior ceticismo e negatividade quando questionados se seriam vacinados.
A França também está entre os países europeus mais céticos, com apenas 59% a afirmar que se houvesse uma vacina contra a Covid-19 que fosse comprovadamente segura e eficaz, iriam tomá-la. Suécia, Alemanha e Espanha também mostraram mais ceticismo do que outros países desenvolvidos fora do continente, como Estados Unidos e Coreia do Sul.
Esta não é a primeira pesquisa a mostrar que os cidadãos europeus têm algumas das maiores preocupações com as vacinas. Um estudo recente do Fórum Económico Mundial (WEF) e da Ipsos também descobriu que os franceses eram os mais céticos na toma da vacina assim que fosse aprovada. Espanha e a Itália também se mostraram mais céticos do que outros países.
Os resultados da pesquisa estavam em linha com uma outro estudo global de 2019, a cargo da organização sem fins lucrativos Wellcome e do Projeto de Confiança da Vacina, que descobriu que os países europeus eram aqueles que menos confiavam nas vacinas.
«A ampla tendência que a nossa pesquisa mostrou em todo o mundo foi que quanto mais rico e economicamente desenvolvido um país é, menos confiança as pessoas tendem a ter nas vacinas desses países», disse Imran Khan, responsável da Wellcome Trust.
Khan acrescentou um «aviso importante», que se prende com o facto de que ainda não se sabe se essa falta de confiança está relacionada com a «absorção de vacinas», o que significa que muitos desses países têm mais acesso às vacinas e às inoculações infantis obrigatórias.
Em alguns países com maior confiança nas vacinas, há taxas mais baixas de vacinação devido à acessibilidade. Ainda assim, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou a hesitação na toma da vacina como uma das principais ameaças à saúde global em 2019, explicando, por exemplo, que alguns países que estavam no caminho certo para eliminar o sarampo viram um ressurgimento.













