Do Reino Unido a Espanha. Há mais de 20 mil enfermeiros portugueses a trabalhar lá fora

A OE estima que o número total de profissionais que atualmente exerce funções no estrangeiro se fixe em cerca de 20 mil, sendo que todos os anos os números referentes à emigração são muito elevados com 2019 «a bater recordes». 

Simone Silva

Numa altura em que tanto se fala dos profissionais de saúde devido à luta contra uma pandemia global, a ‘Executive Digest’ contactou a Ordem dos Enfermeiros (OE) no sentido de perceber quantos se encontram no estrangeiro, em que países e por que razões emigraram.

A OE estima que o número total de profissionais que atualmente exerce funções no estrangeiro se fixe em cerca de 20 mil, sendo que todos os anos os números referentes à emigração são muito elevados com 2019 «a bater recordes».

Nos últimos nove anos os números registam uma tendência maioritariamente crescente, sendo que em 2010 (ano mais antigo para o qual nos disponibilizaram dados), apenas 179 enfermeiros rumaram ao estrangeiro para trabalhar. No ano seguinte a subida foi substancial para 1775 profissionais e em 2012 emigraram 2814, um reflexo da tendência.

Depois disso os números têm oscilado entre os 1.286 e os 4.506, este último é o número mais elevado de enfermeiros que saíram de Portugal para trabalhar no estrangeiro e foi registado no ano passado, o último para o qual há dados disponíveis, segundo a OE.

«Só em 2019, mais de quatro mil enfermeiros solicitaram à Ordem dos Enfermeiros a declaração para efeitos de emigração, um número recorde que triplicou em relação a 2017 e que representa um aumento de 64% face a 2018», revela a OE.

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Sobre os locais para onde os enfermeiros rumam, a ordem revela que «os principais destinos, também com referência a 2019, são: Reino Unido, Espanha e Suíça, mas nota-se já um grande aumento, ano após ano, para os Emirados Árabes Unidos».

Quando questionada sobre quantos enfermeiros são necessários a Portugal a OE refere que «fez uma proposta para a contratação de três mil enfermeiros por ano, durante dez anos», de forma «a suprir as carências de Portugal face aos restantes países europeus.

«Esta proposta continua atual e o numero de contratações, mesmo com a pandemia, muito abaixo das necessidades», afirma defendendo: «Não basta continuar a importar ventiladores, quando continuamos a exportar Enfermeiros».

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A OE tem vindo mostrar-se «preocupada» com os pedidos de recrutamento de enfermeiros portugueses na Europa, uma situação com a qual diz ser «confrontada diariamente, com insistência particular nas últimas duas semanas». Estes pedidos de recrutamento de enfermeiros portugueses partem de vários países europeus (Espanha, Reino Unido, Alemanha e Holanda), que oferecem contratos anuais, transporte e alojamento gratuitos.

«As propostas, que se intensificaram na primeira vaga da pandemia, são agora mais e com condições mais vantajosas por parte de hospitais, mas também de lares. Só de Espanha houve cinco contactos nos últimos dias, desde a Galiza às Canárias, com ofertas de 30 mil euros brutos anuais. Já a Holanda está a oferecer, além das melhores condições remuneratórias, casa, transporte e curso da língua», afirma.

Neste sentido, para evitar que tal aconteça a OE «reitera ao Governo a necessidade de encontrar mecanismos de fixação dos Enfermeiros em Portugal, que não passam pela oferta de contratos de quatro meses, como temos vindo a alertar».

«Apesar de ser unânime o reconhecimento do trabalho dos Enfermeiros no combate à pandemia, não há qualquer incentivo, subsídios de risco ou penosidade, nem remunerações dignas», alerta a OE. «Após oito meses de pandemia com Enfermeiros exaustos e muitos infetados, impedidos de trabalhar, é imperativo que seja revista a forma de contratação de Enfermeiros, bem como as suas condições laborais», apela ainda.

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