Há uma fórmula para o sucesso? Saiba porque é a Finlândia a nova Suécia no combate à pandemia

A Finlândia destaca-se nas estatísticas europeias sobre a pandemia como o país que melhor enfrenta esta segunda vaga de infeções, pelo menos por enquanto.

Simone Silva

A Finlândia destaca-se nas estatísticas europeias sobre a pandemia como o país que melhor enfrenta esta segunda vaga de infeções, pelo menos por enquanto, com a cautela exigida pela volatilidade da situação dos últimos dez meses, avança o ‘La Vanguardia’.

De acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, a incidência acumulada nas últimas duas semanas no país nórdico é de cerca de 50 novos casos por 100 mil habitantes, o menor número de todo o continente, dez vezes inferior à de Espanha e da sua vizinha Suécia.

Na primavera, a Finlândia fechou fronteiras, escolas, espaços culturais e todo o comércio, restringindo também temporariamente a liberdade de movimento nas entradas e saídas da área metropolitana de Helsínquia, a capital.

Embora não seja a única explicação, um dos fatores de sucesso prende-se com o facto de que o distanciamento social (ou pelo menos físico) é algo inerente à sociedade finlandesa. De acordo com uma sondagem do Eurobarómetro, os finlandeses foram os cidadãos europeus que melhor se adaptaram às restrições impostas para controlar a propagação da pandemia.

73% dos finlandeses inquiridos ​​disseram que as medidas de contenção da primeira vaga foram muito fáceis ou razoavelmente fáceis de lidar, e um quarto até as considerou «uma melhoria» na sua vida diária.

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«Estes resultados podem ser explicados em parte pela personalidade dos finlandeses: em geral, estamos muito felizes por estar em casa e não temos problemas em seguir as regras porque temos muita confiança nas nossas autoridades», explicou Marina Lindell , investigadora do Instituto de Pesquisa social da Universidade Åbo Akademi, na cidade finlandesa de Turku.

A responsável acrescenta ainda: «Nem todos os finlandeses são introvertidos e anti-sociais, mas provavelmente temos personalidades menos extrovertidas do que muitos outros países», afirma citada pelo ‘La Vanguardia.

O diretor do Instituto Finlandês de Saúde Pública ( THL ), Mika Salminen, concorda: «Talvez a zona de conforto pessoal dos finlandeses seja um pouco mais ampla do que em outros países europeus. Gostamos de manter as pessoas a uma distância de um metro ou mais; se não, começamos a sentir-nos desconfortáveis», afirmou.

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Esta tendência de maior distanciamento social foi apoiada por outro fator chave, a alta digitalização da sociedade finlandesa, que facilitou o teletrabalho. «O nível de digitalização, tanto nas empresas privadas como nas públicas, é muito alto, o que facilitou muito a mudança para o teletrabalho», explica ao La Vanguardia César Calvar , jornalista espanhol residente na Finlândia.

«Uma família com cinco membros tem um computador para cada um, o que ajudou tanto no trabalho quanto na educação à distância quando as escolas fecharam», acrescenta. O responsável refere-se também à facilidade de realização de processos burocráticos eletronicamente com a administração, que tem contribuído para que não existam grandes problemas ao, por exemplo, solicitar ajuda financeira pública.

As autoridades finlandesas também atribuem o controlo da epidemia a restrições de entrada no país, algumas das mais severas da Europa, bem como a um sistema de rastreio de infeção eficaz, graças em grande parte a uma aplicação móvel que foi instalada 2,5 milhões de vezes num país com 5,5 milhões de habitantes.

Outro elemento crucial tem sido a obediência da população às diretrizes públicas. «Além da menor propensão ao contato físico, um fator muito importante é o fato de as pessoas serem muito mais disciplinadas no que diz respeito a seguir as orientações», afirma Calvar.  Até agora, a Finlândia registou cerca de 20.200 casos de Covid-19 que causaram 374 mortes.

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