Fenprof critica gravação de aulas presenciais. É uma medida de «validade pedagógica questionável», alerta

A federação está contra a gravação de aulas presenciais, defendendo que esta não é uma solução viável.

Simone Silva

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) assumiu, esta segunda-feira, estar contra a gravação de aulas presenciais na sequência da pandemia da Covid-19, considerando que a medida «não é uma solução» viável e apresenta uma «validade pedagógica questionável».

«São vários os estabelecimentos de ensino com alunos em quarentena, isolamento profilático ou pertencentes a grupo de risco em que se pretende, através do computador ou com a instalação de câmaras de vídeo, que as aulas presenciais sejam filmadas para serem visionadas em casa. Esta é uma questão que se coloca quando apenas parte da turma está ausente da sala de aula», começa por explicar o organismo num comunicado enviado às redações.

A Fenprof refere que esta medida «está a merecer sérias reservas dos professores», que a própria federação «acompanha», questionando «a validade pedagógica e os benefícios para os alunos desta “dupla aula”, não só pelas limitações técnicas», mas também porque quando as aulas presenciais são sujeitas «a duplo desenvolvimento» prejudicam «a relação pedagógica entre o docente e os alunos».

«Por outro lado», acrescenta, «há o risco de os professores verem gravado, adulterado e/ou divulgado o seu trabalho, por exemplo, através das redes sociais, como já aconteceu no passado, agora agravado pelo facto de estes estarem a desenvolver uma atividade presencial, cuja preparação e concretização em muito se distingue das atividades orientadas para o ensino a distância».

Neste sentido, a federação defende que «os alunos que têm de ficar no domicílio deverão manter atividade escolar a distância; contudo, não é solução essa atividade ser garantida através do visionamento de aulas presenciais».

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A federação acrescenta que «também não é razoável, em termos de aprendizagem, que um aluno se veja obrigado a visualizar aulas durante um número consecutivo de horas, como se estivesse na escola, pois o contexto do ensino presencial não é o mesmo».

«A Fenprof exorta os professores a não facilitarem nesta matéria, não deixando que, por um motivo de ordem conjuntural, sejam criadas condições para, no futuro, as suas aulas serem supervisionadas, seja para que efeito for. No presente, ao ser filmada a sala e a aula presencial, o professor nunca sabe quem, exatamente, está a visioná-la, ficando a mesma sujeita a intromissões ilegítimas», conclui.

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