Uğur Şahin, um dos cientistas responsáveis pela vacina da Pfizer, a primeira a revelar uma eficácia de 90% contra o vírus, assume estar confiante de que o seu produto pode «destruir definitivamente o vírus» e acabar com a pandemia que tem assolado o mundo, avança o ‘The Guardian’.
A empresa alemã BioNTech e a gigante farmacêutica norte-americana Pfizer anunciaram na segunda-feira que a sua vacina candidata desenvolvida em conjunto superou as expectativas nos ensaios clínicos de fase três, provando ser 90% eficaz para impedir que as pessoas adoeçam.
No entanto, a falta de conjuntos de dados completos dos testes em desenvolvimento deixou sem resposta a questão sobre se a vacina também será eficaz para aqueles com infeções assintomáticas.
Na sua primeira entrevista a um jornal britânico, o presidente-executivo da BioNTech, Uğur Şahin, disse ao ‘The Guardian’ que estava otimista. «Se a questão é se podemos acabar com esta pandemia através da vacina, então a minha resposta é: sim, porque eu acredito mesmo que só uma proteção contra infeções sintomáticas terá um efeito substancial», afirmou.
Até à revelação dos resultados dos ensaios clínicos de segunda-feira, disse o cientista, não havia certeza de que a sua vacina desencadearia uma reação forte o suficiente por parte do sistema imunológico humano. «Era possível que o vírus não fosse realmente o alvo da vacina, chegasse às células e continuasse a adoecer as pessoas. Agora sabemos que as vacinas podem vencer este vírus», revelou.
Embora os testes atuais da vacina BioNTech / Pfizer não provem formalmente que a mesma é capaz de evitar a transmissão do vírus, ao invés de simplesmente impedir que as pessoas infetadas fiquem doentes, Şahin indica que os resultados de elevada eficácia supõem que tal é possível.
A BioNTech, empresa fundada em 2008 pelos cientistas alemães e casal Şahin e Özlem Türeci, para além do oncologista austríaco Christoph Huber, desenvolveu a sua vacina com um método experimental conhecido como mRNA.
Enquanto as vacinas convencionais usam a informação genética de um vírus, cultivando-a numa célula humana, o método do mRNA requer apenas o código genético do vírus, encurtando o processo de produção em quase três meses.
«A vacina impede a Covid-19 de obter acesso às nossas células. Mas mesmo que o vírus consiga encontrar uma maneira de entrar, então as células T golpeiam-no, eliminando-o. Treinámos muito bem o sistema imunológico para aperfeiçoar estes dois movimentos defensivos. Agora sabemos que o vírus não pode se defender», garantiu.











