O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson anunciou esta sexta-feira que vai abandonar as negociações sobre um acordo de livre comércio com a União Europeia (UE), a menos que Bruxelas mostre «uma mudança fundamental de abordagem», avança o ‘Independent’.
Para o responsável o bloco «falhou em negociar» com o Reino Unido um acordo para facilitar o comércio após o final de um período de transição, a 31 de dezembro, o que faz com que o país corra um sério risco de terminar o Brexit sem um acordo comercial.
O Reino Unido deve agora preparar para um «acordo ao estilo australiano» com a UE, segundo Boris Johnson, o que na prática significa um Brexit sem acordo, já que a Austrália não tem qualquer pacto comercial com a União Europeia (UE).
Recorde-se que hoje mesmo o bloco decidiu prolongar o prazo de término das negociações do Brexit, apontado para esta sexta-feira, dando mais duas semanas, até ao final de Outubro, para que o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson possa tomar uma decisão, segundo a mesma publicação.
O principal negociador europeu, Michel Barnier, disse a jornalistas em Bruxelas que tinha proposto uma prorrogação de duas semanas para as negociações, oferecendo-se para trabalhar durante o fim de semana se necessário, num esforço de chegar a um acordo com o Reino Unido.
«Posso confirmar que estamos disponíveis, continuaremos disponíveis até ao último dia possível», disse o responsável, após uma reunião de líderes da UE na capital belga para discutir o assunto. «As negociações não terminaram, queremos dar todas as hipóteses de sucesso para que seja possível firmar um acordo», acrescentou.
O Reino Unido deixou de ser membro da União Europeia (UE) em janeiro, mas concordou em continuar a aplicar as regras da UE até ao final de 2020 para garantir que teria tempo para chegar a um acordo sobre novos pactos de fronteira. No entanto, as negociações sobre um futuro acordo comercial continuam paradas, levantando sérias questões sobre como o processo se vai desenvolver.
Apesar de «algum progresso» em relação às regras de concorrência, os direitos de pesca continuam a ser um grande obstáculo nas negociações. Se por um lado, as tripulações de pesca baseadas na UE querem manter o seu acesso às águas do Reino Unido, por outro, o Reino Unido quer restringir esse acesso, mas continuar a vender peixe britânico no mercado da UE.
Para além disso, há uma outra questão que complica ainda mais as negociações: uma legislação apresentada pelo governo do Reino Unido, que substitui partes dos compromissos anteriores assumidos com a UE, chamada Lei do Mercado Interno.














