Resíduos de amianto estão a ser abandonados na via pública, nomeadamente em caixotes do lixo mas também em matas. O alerta foi lançado esta segunda-feira pela associação Quercus, citada pela ‘SIC’, que fala nos perigos que o material pode ter para a saúde.
Cármen Lima, membro da associação, explica que atualmente os únicos destinos para os resíduos de fibrocimento ficam na Chamusca, mas os resíduos não estão a ser encaminhados para lá, são depositados «nos contentores dos indiferenciados, em matas ou em areeiros e pedreiras abandonados».
A Associação recebeu várias denúncias da situação e mostra-se preocupada com o cenário atual, uma vez que o amianto é uma substância cancerígena e tóxica, representando sérios riscos para a saúde pública.
«Isto vai ter um impacto não só na saúde das pessoas que estão a manusear, que muitas vezes desconhecem os riscos de exposição ao amianto e não se protegem de forma adequada, mas também se for colocado no contentor dos indiferenciados vai ter um impacto para a saúde dos trabalhadores de higiene urbana e se for posto numa mata ou areeiro terá impacto na saúde daqueles que andarem por perto», explica a responsável à SIC.
Cármen Lima é clara em afirmar que a culpa desta situação se prende com a solução apresentada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Esta decisão é tomada «no seguimento de uma pressão civil para que não haja contacto entre o amianto e os resíduos biodegradáveis», explica.
A Quercus defende, segundo a ‘SIC’, que os aterros deviam ser obrigados a se adaptarem às normas da diretiva, bem como às boas práticas internacionais, pois se tal não acontecer poderá ser necessário o investimento do Governo para a limpeza dos resíduos. «Vamos perder o controlo, vamos perder o rasto e daqui por uns anos, podemos estar a falar do dinheiro que tem de ser gasto para limpar estas zonas», refere.
A responsável fala ainda na falta de inspeção e de formação aos trabalhadores que lidam diretamente com o amianto, apontando estes como sérios problemas com consequências que podem ser muito prejudiciais. Em 2019, só 4 de um total de 11 aterros foram fiscalizados, segundo a ‘SIC’.





