A pandemia da Covid-19 impulsionou uma corrida desenfreada pelo desenvolvimento de uma vacina contra a doença. Um pouco por todo o mundo, são muitas as candidatas, mas duas das mais recentes, vindas da Rússia e da China, não devem chegar a Portugal.
Alguns dos avanços anunciados são considerados pelas Autoridades de Saúde «mais publicidade do que ciência», como é o caso da vacina patenteada pela China ou pela Rússia, registada há apenas alguns dias e cuja eficácia e segurança, ainda não estão comprovadas, pelo que não devem ser incluídas no plano da União Europeia (UE), da qual Portugal faz parte.
A falta de transparência de alguns projectos, sobretudo o russo, mas também o chinês em alguns dos seus aspectos, gera uma desconfiança científica intransponível para os países ocidentais, com determinadas questões geopolíticas a marcar diferentes estratégias.
Portugal terá direito a 6,9 milhões de doses de uma vacina de um total de 300 milhões que a UE reservou num laboratório francês da Sanofi, de acordo com o avançado esta quarta-feira pela ‘TSF’, sendo que a primeira remessa de 690 mil doses poderá chegar já em Dezembro, se algum fármaco for entretanto aprovado.
Para além deste a UE anunciou também na passada sexta-feira um acordo com a farmacêutica sueco-britânica AstraZeneca, que visa aquisição de de 300 milhões de doses de uma potencial vacina. O organismo estuda ainda outras hipóteses, nomeadamente a Johnson & Johnson (EUA), a GlaxoSmithKline (Reino Unido), a Moderna (EUA) e a CureVac (Alemanha).
Fora da lista estão as vacinas chinesa e russa, esta última também não faz parte do pacote global da Organização Mundial de Saúde (OMS).
O organismo considera que ainda não existe informação suficiente para incluir a vacina russa no conjunto de produtos adequados para combater a doença viral. «Não temos informação suficiente para poder emitir um parecer, mas estamos a acompanhar a situação para perceber quais são os próximos passos», afirmou Bruce Aylward, responsável pelo mecanismo de distribuição de vacinas da OMS.
No total existem nove produtos no pacote de vacinas da OMS, que depois de serem comercializadas e distribuídas no mercado, farão parte de um fundo global, cujos stocks serão enviados de forma igualitária a várias zonas do mundo.




