Emancipação à força? Italianos precisam de ordem do tribunal para deixar casa dos pais

O Supremo Tribunal de Itália determinou que assim que os jovens terminem os estudos devem tornar-se independentes e procurar um emprego para que consigam viver sozinhos.

Simone Silva

O Supremo Tribunal de Itália determinou que assim que os jovens terminem os estudos devem tornar-se independentes e procurar um emprego para que consigam viver sozinhos, avança o ‘La Vanguardia’.

Os jovens italianos são dos últimos na Europa a conseguirem emancipar-se e viver sozinhos. A média é de 30,1 anos, cerca um ano mais tarde do que em Portugal e cinco anos acima da média da União Europeia (UE).

Continuar a morar em casa dos pais é uma opção para dois em cada três italianos com menos de 34 anos, contudo a mais recente decisão judicial pode alterar a o cenário. Assim que os jovens concluírem os estudos, devem tornar-se independentes dos pais e procurar um emprego, para que consigam sair de casa. Não podem esperar que «apenas o pai se adapte a qualquer trabalho».

A situação não é simples: em Itália, como em outros países do sul da Europa, o desemprego é elevado e os salários são baixos, o que dificulta a independência dos jovens. No entanto, o Supremo Tribunal italiano aposta numa revolução na esfera familiar a nível nacional: o país deve mudar através da «auto-responsabilidade generalizada».

A decisão do Supremo Tribunal refere-se em concreto ao recurso interposto por uma mulher contra o seu ex-marido. A mulher pediu que o ex-conjugue continuasse a pagar uma pensão ao filho, apesar de este já ter 30 anos e trabalhar como professor de música com um salário de cerca de 20 mil euros por ano.

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Na decisão, o tribunal indica que o jovem deve «reduzir as próprias ambições de adolescente», ou seja, é bom continuar a lutar por um sonho, mas é fundamental poder sustentar-se quando chega à idade adulta.

O Tribunal conclui, portanto, que a maioridade pressupõe a capacidade de exercer um trabalho que torne as pessoas independentes, ainda mais quando tiverem concluído alguns estudos, sejam os exigidos por lei ou os que tenham sido realizados com especialização em alguma área.

O Supremo Tribunal italiano menciona explicitamente o possível «abuso de direitos». Por outras palavras os filhos não podem tirar proveito dos pais e devem encontrar a sua própria independência quando terminarem os estudos.

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De recordar que esta já não é a primeira vez que o órgão italiano se manifesta neste sentido: em Fevereiro já tinha obrigado uma mulher a devolver ao ex-marido a pensão que este lhe tinha pago, porque os filhos já tinham alcançado a «autossuficiência financeira».

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