O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou esta terça-feira que os países que colocam os seus próprios interesses à frente dos outros na tentativa de garantir o fornecimento de uma possível vacina contra o coronavírus estão a piorar a pandemia. “(Agir) estrategicamente e globalmente é, na verdade, do interesse nacional de cada país — ninguém está seguro até que todos estejam seguros”, afirmou.
O responsável pediu aos países “que não repitam os mesmos erros” desde o início da pandemia COVID-19, quando a grande maioria dos Estados suspendeu as exportações para outros países que precisavam de recursos médicos, como máscaras ou testes. “Temos de evitar o nacionalismo com a vacina COVID-19”.
«A partilha de produtos (para o desenvolvimento de vacinas) de forma estratégica e global é do interesse nacional de cada um dos países», sublinha Tedros. «Nenhum país tem acesso a toda a cadeia de suprimentos para todos os medicamentos e materiais essenciais. «Estamos interligados. A vacina desenvolvida num país pode ser produzida noutro», acrescenta.
Tedros explicou que, por exemplo, uma vez identificada uma vacina eficaz, o grupo consultivo estratégico da OMS fará recomendações para o seu uso adequado e justo.
«Assim que uma vacina for aprovada a OMS criará orientações para um uso adequado e justo», refere Tedros sublinhando que «a distribuição da vacina deve acontecer em duas fases: na fase 1 as doses serão distribuídas proporcionalmente a todos os países participantes, de forma simultânea para reduzir o risco», afirmou na habitual conferência de imprensa.
«Os dados mais recentes mostram que as pessoas com mais de 65 anos enfrentam um maior risco de morte devido à Covid-19», refere o director geral, revelando que a distribuição de fase um, deve abranger cerca de 20% da população e ainda cobrir a maior parte dos grupos de risco», pois sem isso «não será possível estabilizar os sistemas de saúde nem reconstruir a economia global. Esse é o objectivo da primeira fase», acrescenta.
Por sua vez o responsável explica que «na fase 2 serão tidas em conta factores para os países no que diz respeito ao nível de ameaças e vulnerabilidade de cada um», refere adiantando que «os trabalhadores na linha da frente terão prioridade porque são fundamentais para proteger a população e estão em contacto com os grupos de maior risco».













