58% das empresas em quebra. Alojamento e Restauração é o sector que mais sofre

Na primeira quinzena de Julho, 58% das empresas em Portugal reportou uma redução do volume de negócios face ao que seria expectável num cenário sem pandemia.

Filipa Almeida

Na primeira quinzena de Julho, 58% das empresas em Portugal reportou uma redução do volume de negócios face ao que seria expectável num cenário sem pandemia, o que compara com os 66% registados nos 15 dias anteriores e com os 80% de Abril. Os dados são divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e poderão representar um sinal positivo para a recuperação da economia nacional.

Alojamento e Restauração é o sector que mais sofre com a crise sanitária provocada pela COVID-19, com 88% das empresas a dar conta de recuos na facturação. Seguem-se os Transportes, com 76%.



No mesmo período, 99% das empresas estava em funcionamento, ou seja, mais 3% do que na quinzena anterior. Em relação a Abril, nota-se um salto de 16%. Também aqui se nota um desfasamento em relação ao Alojamento e Restauração, ainda que se verifique um aumento de 11% face à quinzena anterior, chegando aos 93%.

O INE revela ainda que entre 23% e 31% das empresas respondentes já tinha beneficiado das medidas de apoio governamentais, incluindo o lay-off simplificado, avaliando-as como muito importantes para a sua situação de liquidez. No geral, o INE sublinha que “a situação de liquidez das empresas melhorou face a Abril”.

Na primeira quinzena de Julho, 59% das empresas referiu conseguir manter-se em actividade por um período superior a seis meses sem medidas adicionais de apoio à liquidez. Este número compara com os 26% registados em Abril. Por outro lado, 15% disse não ter condições para se manter em actividade por mais de dois meses (versus 47% na semana de 20 a 24 Abril).

Os dados divulgados esta quarta-feira indicam também que 24% das empresas registou uma redução do pessoal ao serviço efectivamente a trabalhar. Também aqui se nota uma melhoria relativamente aos 36% da quinzena anterior e aos 59% de Abril. Uma vez mais, Alojamento e Restauração constitui o sector onde mais empresas referiram uma redução no número de trabalhadores na primeira metade de Julho (58%). É, ainda assim, uma descida de 6%.

Ainda sobre emprego, o INE aponta para 17% das empresas com redução do número de postos de trabalho desde o início da pandemia e para 76% sem qualquer impacto no total de pessoas empregadas. A maioria (83%) planeia manter os postos até ao final deste ano.

Quanto às empresas que beneficiaram do lay-off simplificado, 77% diz que teria diminuído o número de pessoas empregadas desde o início da pandemia se não fosse este recurso. Sobre as novas medidas, 38% pretende recorrer ao incentivo extraordinário à normalização da actividade na sequência do termo do lay-off simplificado já em Agosto, enquanto 30% deverá optar por manter o recurso ao lay-off simplificado ou recorrer ao apoio à retoma progressiva.

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