19ª Conferência Executive Digest: transformação digital aconteceu “sem pedir licença”

Subordinada ao tema “Os Imperativos da Transformação Digital – Estratégias, Oportunidades, Riscos & Mitos”, a XIX Conferência Executive Digest reuniu um vasto grupo de especialistas para debater e partilhar desafios e oportunidades que esta temática encerra.

A segunda mesa redonda do evento, dedicada ao tema “Oportunidades e Novas Estratégias e Desafios que esta era digital está a proporcionar às empresas”, contou com as presenças de João Jerónimo, Diretor de E-Commerce da Well´s, Pedro Empis, Executive Business Director Outsourcing da Randstad, Sofia Couto da Rocha, Chief Transformation Officer da Lusíadas Saúde, e Vanda Jesus, Diretora Executiva da Portugal Digital. A moderação ficou a cargo de Ricardo Florêncio, CEO Multipublicações Media Group.

Sobre o processo de transformação digital, João Jerónimo, Director de E-Commerce da Well´s, afirmou que é “um processo que já estão a fazer há muito tempo”. “Nós posicionamo-nos nos eixos da saúde, bem-estar e cada vez mais em beleza. E isso é um caminho que já tem sido feito pela Well´s há alguns anos não só enquanto retalhista mas sobretudo através da introdução de novos serviços, como óptica que tem crescido muito, estética, radiologia, consultas de nutrição”, explica.

O responsável explicou também que a Well’s tem demonstrado “muita resiliência” e, em alguns aspectos, uma procura “gigantesca” quer no offline mas também no digital, caso dos bens associados à proteção de covid. “E depois alguns serviços que foram impactados mais negativamente porque não é possível fazer um serviço de estética à distância. Mesmo consultas de nutrição ou todas as outras consultas que eram presenciais reagimos rapidamente. Essa transformação digital foi acelerada no sentido de permitir consultas de nutrição à distância. Houve pontos que foram acelerados, por exemplo, as novas consultas de nutrição à distância, mas essencialmente o negócio mudou muito e adaptou-se com muita rapidez para outros pontos – máscaras, alcool gel, suplementos”, enumerou.

O mundo das empresas que prestam serviços a pessoas também mudou radicalmente? Foi esta a questão lançada a Pedro Empis, Executive Business Director Outsourcing da Randstad. “O mundo mudou e o trabalho também mudou drasticamente. Vai tudo parar ao digital numa primeira fase. Basta olhar para algumas empresas que, de repente, tiveram uma capitalização bolsista maior do que as companhias áereas”, afirmou.

Este responsável sublinhou que o modelo de negócio em si não mudou. Mudou a forma, o que significa que hoje entrevistas à distância ou assessment  eram coisas que se faziam esporadicamente e a título excepcional (quando o candidato não podia ou estava num país diferente) e desde março que o recrutamento e a prestação do serviço passou a ser mais digital. “Nós temos a maior parte das pessoas a trabalhar a partir de casa. E isso traz um conjunto de desafios novos – ainda existe uma fatia de pessoas que não consegue trabalhar a partir de casa – mas depois há um conjunto de outros temas que eu acho que virão com o tempo. O que estamos a fazer ao nível de transformação é encontrar a forma virtual de continuarmos a fazer aquilo que as pessoas sentem falta que é a confraternização, socialização, estarem umas com as outras”, sublinha Pedro Empis.

Em relação ao outsorcing, este é uma oportunidade em crescimento. As empresas estão claramente em busca de eficiência e de parceiros que sejam especialistas em algumas partes do seu processo e isso já vinha a acontecer. “Aquilo que me parece é que hoje em dia muita coisa foi repensada. Esta transformação digital aconteceu sem pedir licença, de repente decidimos todos à força. Houve muita coisa que passou a acontecer e que com alguma ajuda da regulação tiveram de ser adaptadas. Com isto veio também uma reflexão estratégica para as próprias empresas”, disse o Executive Business Director Outsourcing da Randstad.

UMA NOVA ERA

Há uma nova era da transformação digital? Vanda Jesus, Diretora Executiva da Portugal Digital, responde: Existe alguma coincidência pelo facto de o Plano de Ação para a Transição Digital que implemento ter sido aprovado na semana antes do primeiro confinamento. O Plano já existia, a questão é acelerou de forma enorme. Ou seja, todas as medidas emblemáticas que temos no plano estarão em implementação em 2021. Há uma correlação quer para as pessoas quer para as empresas, quer para os países. Há uma correlação directa entre a nossa maturidade digital e a nossa capacidade de resiliências às críticas”.

Na opinião de Vanda Jesus, isto implica trabalhar em três pilares: nas pessoas e na sua capacitação digital, nas empresas e na sua transformação e depois no Estado, na modernização, simplificação  e, principalmente, na digitalização de um conjunto de processos. “Eu diria que o nosso maior desafio como país é na área da capacitação. A primeira coisa que o digital deve trazer é que todos possamos compreender que a aprendizagem nunca vai estar terminada. O digital traz isso, essa aprendizagem constante. Para que aconteça na sociedade temos de fazer um conjunto de alterações. Precisamos das empresas, das confederações e também do recrutamentos de novos especialistas em novas tecnologias”, sublinhou a diretora Executiva da Portugal Digital.

Para Sofia Couto da Rocha, Chief Transformation Officer da Lusíadas Saúde, a instituição trabalhou sempre de forma muita ativa e integrando muitas vezes o online e o offline – com colegas em teletrabalho e outros na linha da frente. “É esta integração muitas vezes do end to end em que nós podemos verdadeiramente integrar aquilo que tem de ser feito em offline com aquilo que pode ser feito online de uma forma fluida. A verdade é que muitas destas soluções tecnológicas, e muita desta tecnologia pura, seja a Inteligência Artificial no apoio à decisão clínica, seja o blockchain associado à capacidade que nós temos de garantir a qualidade e a segurança dos dados, seja o mais básico como a teleconsulta ou a medicina à distância tivemos de colocar o pé no acelerador. Foi muito desafiante para a organização, para os nossos utilizadores, para a própria avaliação clínica do médico. Como organização temos a capacidade de inovação em modo muito ativo, seja nos processos, seja nas pessoas, nos sistema,  ou na própria organização como um todo”, conclui Sofia Couto da Rocha, Chief Transformation Officer da Lusíadas Saúde.

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