A análise de Pedro Moreira, Presidente da EGEAC, Lisboa Cultura
Com o início de cada novo ano, assiste-se à reactivação das actividades das empresas públicas e privadas, com a implementação dos planos estratégicos previamente desenhados e aprovados. Esta fase de arranque é também fundamental para o sector cultural, uma vez que determina não apenas o ritmo das operações, mas orienta igualmente as prioridades de investimento e a alocação de recursos. O panorama actual, tal como reflectido pelo Barómetro, revela um crescimento moderado, condicionado pelos limites orçamentais que se fazem sentir em todo o espectro da actividade e em especial no sector cultural. E se o peso do Estado é percebido como elevado, a resposta passa por diversificar o financiamento – parcerias, candidatura a fundos e mecenato – e por reformas que simplifiquem e tragam previsibilidade, algo que considero positivo nas recentes medidas governamentais. Em cultura, investir é conservar e modernizar: equipamentos seguros, eficiência energética, melhor experiência de visita e circulação e melhores condições para inspirar a criação artística. Se a Economia Azul poderá não ser central para a cultura, é estratégica para um País com uma fronteira atlântica como o nosso. Num momento de amplo debate da geopolítica, como é o caso do dossier Gronelândia, este tema reforça a centralidade na abordagem internacional de fronteiras. A este eixo estratégico junto-lhe, como prioritárias, as apostas na educação e na saúde, para além da Economia do Futuro, onde a IA está a assumir um papel crescente também no sector cultural. Queremos investir mais, começando pelas pessoas: formação em literacia digital, ética e aplicação prática. A IA deve libertar tempo, melhorar o atendimento e gestão de informação, sem substituir a curadoria e a criação “human designed”. Portugal está moderadamente preparado: há avanços que importam celebrar, mas persistem fragilidades estruturais. O nosso grande desafio nunca foi pensar, mas sim executar.
Testemunho publicado na edição de Fevereiro (nº. 239) da Executive Digest, no âmbito da XLVI edição do seu Barómetro.














