O presidente americano, Donald Trump, afirmou que espera que mais militares dos Estados Unidos possam morrer no conflito em curso contra o Irão, sublinhando que perdas humanas são inevitáveis enquanto a campanha militar continuar.
As declarações foram feitas numa conferência de imprensa realizada em Doral, na Flórida, citada pelo jornal britânico ‘The Independent’, poucas horas depois de o Pentágono ter confirmado a morte de um sétimo militar americano desde o início da guerra. Questionado pelos jornalistas sobre quantas baixas seriam aceitáveis para alcançar os objetivos militares, Trump respondeu que em conflitos armados as mortes são inevitáveis.
“Quando há conflitos como este, sempre há mortes”, afirmou.
“Terminem o trabalho”
Durante a mesma intervenção, Trump relatou uma visita recente à Base Aérea de Dover, onde se encontram frequentemente cerimónias militares de homenagem aos soldados mortos em combate. O presidente disse ter falado com familiares de militares que perderam a vida na guerra e afirmou que todos transmitiram a mesma mensagem.
Segundo Trump, os familiares pediram-lhe que continuasse a operação militar até alcançar os objetivos definidos. “Disseram-me todos a mesma coisa: ‘Termine o trabalho. Senhor, por favor, termine o trabalho’”, afirmou.
Declarações polémicas sobre armas e ataques
A conferência de imprensa ficou também marcada por algumas afirmações controversas. Trump sugeriu que o Irão poderia ter utilizado mísseis Tomahawk, apesar de este tipo de armamento ser fabricado nos Estados Unidos e não fazer parte do arsenal iraniano.
O presidente também atribuiu ao Irão responsabilidade pelo atentado contra o navio ‘USS Cole’ em 2000, no Iémen, ataque que foi na realidade reivindicado pela organização terrorista Al-Qaeda.
Questionado sobre estas declarações, Trump admitiu não ter informação completa sobre o assunto. “Porque simplesmente não sei o suficiente sobre o tema”, respondeu aos jornalistas.
Ataque a escola iraniana continua sob investigação
Uma das polémicas mais recentes da guerra envolve um ataque a uma escola feminina na cidade iraniana de Minab, ocorrido nos primeiros dias da ofensiva conjunta entre Estados Unidos e Israel.
As autoridades iranianas afirmam que cerca de 175 pessoas morreram nesse bombardeamento, embora o número não tenha sido confirmado por entidades independentes.
Investigadores militares americanos indicaram na semana passada que é provável que forças dos EUA tenham sido responsáveis pelo ataque, mas o Pentágono continua a investigar o incidente. Trump rejeitou assumir essa responsabilidade e voltou a culpar Teerão.
Guerra pode estar perto do fim, diz Trump
Apesar do aumento das tensões, Trump afirmou numa entrevista à ‘CBS News’ que acredita que o conflito poderá terminar mais cedo do que o previsto. Segundo o presidente americano, a campanha militar está “praticamente concluída” e encontra-se à frente do calendário inicialmente previsto pela Casa Branca.
Trump afirmou ainda que as forças armadas iranianas sofreram perdas significativas. “Eles não têm marinha, não têm comunicações, não têm força aérea”, declarou. Ainda assim, o presidente admitiu que os Estados Unidos continuarão os bombardeamentos enquanto considerarem que a vitória não está totalmente assegurada.
A escalada militar também levou alguns países produtores do Golfo Pérsico, como Iraque, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, a reduzir preventivamente a produção de petróleo, antecipando possíveis dificuldades no armazenamento caso as exportações sejam interrompidas.
Mesmo assim, Trump tentou minimizar o impacto económico da guerra. Numa publicação na rede social ‘Truth Social’, o presidente afirmou que a subida do petróleo é apenas temporária e representa “um preço muito pequeno a pagar pela segurança e paz dos Estados Unidos e do mundo”.
Quem pensar o contrário, acrescentou, é simplesmente “um tolo”.




