Washington é parceiro energético “pouco fiável” e “problemático” para Alemanha

O investigador Loyle Campbell acredita que Washington, sobre a liderança de Donald Trump, é um parceiro energético “pouco fiável” e “problemático”, especialmente para países dependes de importações de energia como a Alemanha.

Executive Digest com Lusa

O investigador Loyle Campbell acredita que Washington, sobre a liderança de Donald Trump, é um parceiro energético “pouco fiável” e “problemático”, especialmente para países dependes de importações de energia como a Alemanha.


“Washington sob Trump agirá de forma unilateral para assegurar e alavancar recursos energéticos, recorrendo à força se necessário, de modo a reforçar a primazia americana, mesmo à custa dos aliados”, sublinhou em declarações à agência Lusa.


Para o investigador associado no Centro de Clima e Política Externa do Conselho Alemão de Relações Internacionais (DGAP), até muito recentemente Berlim partia do princípio de que a primazia americana era prosseguida de uma forma que beneficiava os aliados, e não de uma forma que pudesse prejudicá-los.


No estudo “Venezuela, Petróleo e o domínio energético dos Estados Unidos da América: Implicações para a Política Alemã”, em que Campbell é um dos coautores, sustenta que a intervenção de Trump na Venezuela foi assumidamente motivada pelo petróleo obrigando a Alemanha a reequacionar a sua estratégia.


“A Alemanha precisa de começar a considerar a predominância energética dos EUA, a par da instrumentalização russa dos combustíveis fosseis e da consolidação tecnológica chinesa, como um potencial risco sistémico para a segurança europeia”, sustentou.


Para Loyle Campbell, a resposta não é simplesmente “mais renováveis”.


“No passado fizemos isso, o que beneficiou fortemente as exportações chinesas subsidiadas. Partes da indústria alemã foram fragilizadas nesse processo. Desta vez, precisamos de ser estratégicos, concentrando-nos em tecnologias onde as nossas empresas ainda têm um modelo de negócio sólido”, apontou.


A energia eólica offshore é um exemplo “notável”, acrescentou.


Outro dos focos da Alemanha deverá ser, defende o analista do DGAP, a eficiência energética já que “não precisa de importar energia que não utiliza” e a diversificação das parcerias energéticas.


“No entanto, um elemento fundamental é que não existe uma resposta eficaz se a Alemanha agir sozinha. Isso ficou claro no caso da coerção económica de Trump em relação à Groenlândia. Quando a Alemanha responde à coerção e ao poder geopolítico em conjunto com outros, através de Bruxelas, os resultados são muito mais impactantes”, realçou.


De acordo com o estudo “Venezuela, Petróleo e o domínio energético dos Estados Unidos da América: Implicações para a Política Alemã” publicado pelo DGAP, embora a intervenção dos EUA na Venezuela possa parecer uma vitória estratégica de curto prazo, o petróleo venezuelano é economicamente arriscado, climaticamente insustentável e potencialmente um erro num mundo em transição energética.


 


 


 

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