O grupo Volkswagen tem uma visão clara do futuro da mobilidade: o carro do futuro será eléctrico, autónomo e partilhado. «Estimamos que, em 2025, cerca de 25% dos novos carros da marca Volkswagen colocados no mercado sejam eléctricos», afirma Ricardo Tomaz, director de Marketing Estratégico e Relações Externas da SIVA. Até esse ano, 20 novos modelos da marca 100% eléctricos chegarão ao mercado, sob a denominação I.D.
A Volkswagen apresentou no recente Salão de Genève mais um membro da sua família I.D., um veículo autónomo chamado Vizzion. A família I.D. – da qual já foram apresentados quatro modelos – será construída em cima de uma nova plataforma chamada MEB, exclusivamente desenhada para os futuros veículos 100% eléctricos da Volkswagen.
Também no domínio da mobilidade partilhada, o Grupo apresentou o minibus MOIA destinado a transportes urbanos partilhados (ride-sharing), cuja fase experimental se iniciará este ano em Hamburgo, não havendo ainda data marcada para a chegada do serviço a Portugal.
Aliás, a MOIA é a 13ª marca do Grupo Volkswagen, um laboratório de soluções de mobilidade que passa por desenvolver novos serviços, parcerias ou conceitos, como este minibus recentemente apresentado.
O Grupo já anunciou um plano de investimentos de 70 mil milhões de euros para desenvolvimento de novos produtos e fornecimento de baterias.
Neste âmbito, e até ao lançamento no mercado do primeiro Volkswagen I.D. em 2020, a marca tem disponíveis no mercado os e-up! e e-Golf, este último com 300 km de autonomia. A estes dois veículos 100% eléctricos, juntam- se os híbridos “plug-in” Golf e Passat GTE, com motor a gasolina acoplado a um motor eléctrico que permite autonomias de 50 km para pequenos percursos urbanos. Os actuais carros eléctricos da marca são modelos já existentes “electrificados”. «Os novos I.D. nascerão eléctricos, com um design e construção próprios», avança Ricardo Tomaz.
OFERTAS INTEGRADAS
A conveniência é um eixo estratégico da mobilidade eléctrica. A Volkswagen está, por isso, a desenvolver ofertas integradas de serviços ligadas à compra dos carros eléctricos, que incluam – para além da compra/renting do veículo, o carregamento, a wall box e a mobilidade suplementar. Ricardo Tomaz indica que se «venderam em Portugal perto de 1650 veículos eléctricos em 2017, o que traduziu um crescimento de 116% versus 2016. Os números são ainda reduzidos, não ultrapassando 1% do total de veículos vendidos, e essa realidade não é muito diferente na Europa, pelo que as taxas de crescimento deverão manter-se elevadas».
Os híbridos “plug-in” serão, por isso, úteis para assegurar uma fase de transição entre os veículos com motor de combustão interna e os 100% eléctricos. «Eles contribuem também para criar no consumidor o hábito do carregamento e acelerar a necessária mudança de comportamento que a mobilidade do futuro implica», afirma o director de Marketing Estratégico e Relações Externas da SIVA.
Ainda assim, «o desaparecimento das actuais formas de motorização automóvel será lenta: mesmo que 25% dos Volkswagen sejam eléctricos em 2025, isso representará um milhão de unidades contra três milhões de veículos “convencionais” », refere Ricardo Tomaz.
A autonomia dos veículos e o preço continuam a ser os principais entraves à disseminação da mobilidade eléctrica, mas, «uma vez ultrapassadas as barreiras do preço, e isso acontecerá à medida que o custo de produção do KWh das baterias for baixando, os principais obstáculos a vencer serão psicológicos, nomeadamente a “ansiedade da autonomia” que se reduzirá com o aumento da capacidade das baterias. Esse caminho será provavelmente mais rápido do que supomos hoje», avança o director de Marketing Estratégico e Relações Externas da SIVA.
Ricardo Tomaz refere ainda que os veículos eléctricos não se desenvolveram por via de uma necessidade dos consumidores. «São uma inevitabilidade por causa da crescente tensão sobre as nossas cidades e sobre o planeta em geral, e porque a legislação sobre emissões poluentes só poderá ser cumprida com recurso a carros movidos a electricidade.
Os consumidores são sensíveis ao preço antes de mais, e depois, em menor grau, às questões ambientais, apesar das novas gerações parecerem atenuar este paradigma.
A prová-lo está o peso esmagador de clientes empresas nas nossas vendas de veículos eléctricos: têm mais benefícios, sobretudo fiscais, do que um particular.
Daí que o papel dos incentivos – em preço e em conveniência – seja central no desenvolvimento da mobilidade eléctrica. Foi assim que se fez – e continua a fazer-se – o crescimento dos mercados maduros, como a Noruega», conclui.














