O novo líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, que ainda não apareceu em público desde a sua nomeação, indicou um antigo chefe da Guarda Revolucionária como conselheiro militar, noticiou hoje a imprensa nacional.
“O general Mohsen Rezaei foi nomeado conselheiro militar por ordem do comandante-chefe, ‘ayatollah’ Mojtaba Khamenei”, segundo a agência de notícias Mehr.
Outros órgãos de comunicação social iranianos também noticiaram a nomeação de Mohsen Rezaei, de 71 anos, que chefiou a Guarda Revolucionária, o braço ideológico do regime, entre 1981 a 1997.
Posteriormente, ocupou vários cargos de alto nível dentro do sistema político.
Sob o comando do anterior líder supremo, Ali Khamenei, Rahim Safavi serviu como conselheiro militar.
Mojtaba Khamenei foi escolhido para líder supremo após a morte do seu pai, em 28 de fevereiro, no primeiro dia dos ataques aéreos israelitas e norte-americanos contra o Irão, que desencadearam uma guerra que se alastrou à região.
Várias figuras ligadas ao regime de Teerão relataram que Mojtaba Khamenei ficou ferido no mesmo bombardeamento que matou o pai.
Na quinta-feira, fez o seu primeiro discurso à nação, que foi lido por uma apresentadora na televisão iraniana, indicando que os funcionários nomeados por Ali Khamenei deveriam “continuar a exercer as suas funções”.
O secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, também disse que Mojtaba Khamenei ficou ferido e provavelmente desfigurado, uma versão contrariada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, que, no sábado, afirmou que “não há qualquer problema com o novo líder supremo”.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou que ignorava se o clérigo estava vivo, instando-o, em caso afirmativo, a render-se.
O Departamento de Estado norte-americano divulgou uma recompensa de 10 milhões de dólares (8,7 milhões de euros) por informações que levem à localização de alguns dos principais líderes iranianos, em particular da Guarda Revolucionária, numa lista que inclui o novo líder supremo.
No seu primeiro discurso, Mojtaba Khamenei pediu também à Guarda Revolucionária que mantivesse o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, sob bloqueio militar, entre as medidas de retaliação contra a ofensiva israelo-americana, a que se juntam ataques aéreos contra Israel e os países vizinhos no Médio Oriente, visando bases dos Estados Unidos mas também infraestruturas económicas, sobretudo energéticas.
A Guarda Revolucionária ameaçou hoje atacar empresas norte-americanas nos países da região, apelando aos seus funcionários para que se retirassem de imediato.
“Estas áreas serão em breve alvo da Guarda Revolucionária Islâmica”, declarou a força iraniana no seu ‘site’ oficial, sem especificar quais as empresas.
Na semana passada, a agência de notícias Tasnim publicou uma lista de possíveis alvos do Irão na rede Telegram, incluindo os escritórios de gigantes tecnológicos como a Amazon, Google, Microsoft e Nvidia nos países do Golfo.
O chefe da diplomacia de Teerão também avisou no sábado que mais empresas norte-americanas serão alvejadas se a infraestrutura energética iraniana for novamente bombardeada, no mesmo dia em que a Guarda Revolucionária reclamou ataques contra agências do Citibank nos Emirados Árabes Unidos e Bahrein.
As operações com drones na sexta-feira à noite no Dubai e Manama contra o Citibank, sediado nos Estados Unidos, foram justificadas pelo porta-voz das forças iranianas, Ali Mohammad Naeini, como uma resposta à “agressão inimiga” contra dois bancos iranianos, segundo a agência de notícias Tasnim.
Ali Mohammad Naeini advertiu que, se as instituições financeiras iranianas voltarem a ser atacadas, todas as agências dos bancos norte-americanos da região serão consideradas “alvos legítimos”.
Os Estados Unidos bombardearam na sexta-feira à noite a ilha iraniana de Kharg, o centro da indústria petrolífera do país.
Donald Trump considerou que foi “um dos bombardeamentos mais poderosos” da história do Médio Oriente, que diz ter aniquilado por completo todos os alvos militares na ilha, onde estão armazenadas 90% das exportações de petróleo iraniano.
Em sentido contrário, a agência de notícias iraniana Fars deu conta de que nenhuma infraestrutura petrolífera da ilha foi danificada.




