O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, reúnem-se esta quinta-feira em Manila, nas Filipinas, naquele que será o primeiro encontro presencial entre ambos em quase um ano. A reunião decorrerá à margem do fórum regional da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e surge num momento de elevada tensão entre Moscovo e Washington, com a guerra na Ucrânia a dominar a agenda diplomática e as perspetivas de um cessar-fogo a permanecerem incertas.
O encontro deverá centrar-se sobretudo na evolução do conflito na Ucrânia e nos chamados “acordos de Anchorage”, que, segundo Moscovo, resultaram de contactos mantidos entre o Presidente russo, Vladimir Putin, e o Presidente norte-americano, Donald Trump. Apesar do agravamento da retórica entre os dois países nas últimas semanas, a reunião representa uma das poucas oportunidades recentes para um diálogo direto entre as duas maiores potências nucleares do mundo.
Guerra na Ucrânia será o principal tema das conversações
Segundo informações divulgadas pelo Kyiv Post, esta será a primeira reunião presencial entre Lavrov e Rubio desde setembro do ano passado, num contexto marcado pela continuação da guerra na Ucrânia e pelo impasse nas tentativas de alcançar uma solução diplomática.
Além da situação militar no terreno, deverão igualmente ser discutidos os contactos anteriormente estabelecidos entre Moscovo e Washington, que a Rússia designa como “acordos de Anchorage”, entendendo que esses entendimentos continuam a servir de base para eventuais negociações futuras.
Lavrov diz que Moscovo acredita que Washington mantém propostas anteriores
Antes da deslocação a Manila, Sergey Lavrov afirmou que a Rússia parte do princípio de que os Estados Unidos continuam a considerar válidas as propostas debatidas durante os contactos entre Vladimir Putin e Donald Trump.
O chefe da diplomacia russa indicou ainda que pretende questionar Marco Rubio sobre as recentes declarações do Presidente norte-americano, que afirmou acreditar que um eventual acordo para pôr fim à guerra poderá estar agora mais próximo.
Estas declarações surgem numa altura em que Moscovo procura perceber qual é a posição efetiva da administração norte-americana relativamente às possibilidades de negociação.
Estados Unidos defendem manutenção do diálogo
Do lado norte-americano, Marco Rubio justificou a realização da reunião sublinhando que Estados Unidos e Rússia, enquanto maiores potências nucleares do mundo, não podem interromper totalmente os canais de comunicação, apesar das profundas divergências provocadas pela invasão da Ucrânia.
A posição norte-americana procura manter abertas as vias diplomáticas, mesmo num momento em que persistem fortes desacordos relativamente ao conflito e ao apoio militar ocidental a Kiev.
Kremlin endurece posição antes da reunião
O encontro acontece, porém, num contexto em que Moscovo aparenta endurecer a sua posição negocial.
De acordo com informações avançadas pela agência Bloomberg e citadas pelo Kyiv Post, o Kremlin terá abandonado a hipótese de uma troca de territórios com a Ucrânia e pretende manter as áreas atualmente ocupadas nas regiões ucranianas de Sumy e Kharkiv como uma zona tampão.
As mesmas informações indicam ainda que Vladimir Putin continua convencido de que as forças russas poderão conquistar a totalidade da região de Donbass até ao final de 2026.
No entanto, fontes ligadas ao Ministério da Defesa russo consideram esse objetivo demasiado otimista e apontam antes para 2027 como horizonte mais plausível para uma eventual concretização dessa meta militar.
Moscovo acusa Washington de incumprir compromissos
Nas últimas semanas, Sergey Lavrov intensificou também as críticas dirigidas aos Estados Unidos, acusando Washington de não cumprir os compromissos assumidos durante anteriores contactos diplomáticos.
O ministro russo afirmou igualmente que Moscovo deixou de considerar os Estados Unidos um mediador imparcial no conflito, sugerindo que as conversações realizadas anteriormente no Alasca poderão ter servido apenas para dar tempo aos aliados ocidentais de reforçarem o apoio militar prestado à Ucrânia.
Estas declarações refletem o agravamento da desconfiança entre as duas potências, num momento em que continuam sem existir sinais concretos de aproximação relativamente às condições para um eventual cessar-fogo.
Apesar das posições cada vez mais distantes entre Moscovo e Washington, a reunião desta quinta-feira em Manila representa uma rara oportunidade para que os dois países mantenham um canal de diálogo direto.
Embora não sejam esperados avanços imediatos nas negociações sobre a guerra na Ucrânia, o encontro entre Sergey Lavrov e Marco Rubio poderá permitir esclarecer posições sobre os contactos anteriores entre os dois países e avaliar se existem condições para futuras iniciativas diplomáticas destinadas a reduzir a escalada do conflito.














