Ransomware cresce 33% num ano

Check Point Research identifica um recorde de 93 grupos ativos e alerta para o papel crescente da inteligência artificial na aceleração das operações criminosas

Executive Digest

O ransomware continua a ganhar escala. Segundo o relatório State of Ransomware Q2 2026, da Check Point Research (CPR), os sites de fuga de dados associados a grupos de ransomware registaram 2 139 vítimas no segundo trimestre de 2026.

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O valor representa um aumento de 33% face ao mesmo período do ano anterior. Em relação ao primeiro trimestre, o número de vítimas manteve-se praticamente estável.

Ao mesmo tempo, o número de grupos ativos subiu de 71 para 93, o valor mais elevado alguma vez registado pela CPR.

A evolução mostra um ecossistema mais fragmentado. Os dez grupos mais ativos passaram de representar 71% das vítimas no primeiro trimestre para 57,6% no segundo.

O Qilin manteve a liderança, com 279 vítimas identificadas. Já o The Gentlemen registou 269 vítimas e cresceu 62%, tendo ultrapassado o Qilin em junho.

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A investigação identifica ainda sinais de que a inteligência artificial está a reduzir as barreiras técnicas à entrada no cibercrime.

A análise interna do The Gentlemen permitiu à CPR observar uma operação organizada em torno de uma pequena equipa central e de uma rede de afiliados.

O administrador do grupo, conhecido como Zeta88, terá desenvolvido o painel de gestão da operação em cerca de três dias com o apoio de assistentes de programação baseados em IA, incluindo DeepSeek e Qwen.

A investigação não encontrou indícios de que a IA esteja a executar ataques de forma autónoma. No entanto, a tecnologia já permite acelerar o desenvolvimento de ferramentas criminosas e a criação de infraestruturas mais complexas.

O modelo de negócio do ransomware também está a mudar. A taxa de pagamento de resgates caiu de 85% em 2019 para cerca de 23% atualmente.

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Apesar disso, os pagamentos associados a ransomware registados na blockchain ultrapassaram 820 milhões de dólares em 2025.

Com o reforço das cópias de segurança e das capacidades de recuperação, os atacantes estão a apostar cada vez mais no roubo e na exposição de dados.

Os serviços empresariais concentraram 33% das vítimas identificadas no segundo trimestre. Seguiram-se os bens e serviços de consumo, com 16%, e a indústria transformadora, com 12%.

Os Estados Unidos representaram 42% das vítimas reportadas, enquanto Canadá e Alemanha registaram 5% cada.

Para a CPR, a janela de reação das organizações está a diminuir. Credenciais comprometidas, acessos remotos expostos e intermediários de acesso continuam entre os principais vetores utilizados pelos atacantes.

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A investigação defende, por isso, uma estratégia centrada na prevenção. A proteção de credenciais, a redução da superfície de ataque, a deteção de exfiltração e a correção rápida de vulnerabilidades devem assumir prioridade.

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