Randstad Insight: Há o certo e o errado?

Por José Miguel Leonardo | CEO Randstad Portugal

Ao longo da nossa vida vamos sempre fazendo escolhas, escolhas estas que impactam de forma mais ou menos marcante o nosso futuro e que têm por base as nossas vivências em sociedade. Somos capazes de distinguir o que é certo do que é errado, mas a verdade é que estas decisões que tomamos são também elas subjectivas, porque o que para mim é certo, pode ser errado para tantas outras pessoas. E ainda que nos últimos anos tivéssemos estado mais afastados fisicamente nunca deixámos de estar inseridos num meio social que molda os nossos comportamentos e opiniões.

Hoje, no rescaldo daqueles que foram os resultados do Randstad Employer Brand Research 2022, relembro a importância de olhar para as escolhas e opiniões dos profissionais com um olhar atento. Isto porque quando vimos os critérios não financeiros a aproximarem-se cada vez mais na ordem de importância que o salário e benefícios tem na escolha de um empregador, é algo que não podemos ignorar. Veja-se, por exemplo, como a conciliação da vida pessoal-vida profissional ou o bom ambiente de trabalho – os mais valorizados por 67% dos profissionais portugueses – têm uma diferença de apenas 5% no ranking dos critérios mais valorizados em comparação ao salário e benefícios (72%). Um claro indicador de como cada vez mais os profissionais estão preocupados com o seu bem-estar numa empresa, com a sua felicidade, e como esta vai muito mais além de um salário no final do mês. A mim enquanto empresa, e sobretudo enquanto líder, cabe-me olhar para estes dados com a atenção que eles merecem. Estou a dar as devidas oportunidades de desenvolvimento a nível profissional? Estou a contribuir para equilíbrio na sua vida pessoal? Mas afinal, como quero que os profissionais me vejam e como me vêem? E no fundo questionar: qual é a minha proposta de valor?

E quando observo a percepção que os profissionais têm de mim enquanto empresa, devo questionar se está certa ou está errada? Haverá certamente quem diga que são apenas percepções, opiniões que pouca validade têm, que lhes faltam factos e dados que comprovem a sua veracidade. Sim, são percepções e as percepções dependem muito da interpretação que cada pessoa faz dos factos, podem ser subjectivas é certo mas, ao mesmo tempo, estas percepções são também um reflexo das acções das próprias empresas.

Por isso, são estas percepções que nos devem obrigar a reflectir, a pensar e a repensar quem somos e o que queremos ser enquanto organizações, que ao mesmo tempo nos levem a tirar conclusões e que nos façam sobretudo agir. Na verdade, não têm que estar certas nem tão pouco erradas. Mas devem servir para uma maior consciencialização daquilo que eu sou enquanto empresa, da forma como a minha organização é percebida.

E ainda que o certo e o errado possam ter diferentes interpretações, neste caso afirmo a certeza de que o caminho a fazer é o da humanização das empresas, onde as pessoas são encaradas não como um número ou um custo no final do mês, mas como um asset essencial e o mais valioso de qualquer organização.

Artigo publicado na Revista Executive Digest n.º 195 de Junho de 2022

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