Quem é Michael Rubin, o ex-conselheiro dos EUA que instiga Marrocos a marchar sobre Ceuta e Melilla?

Rubin tem vindo a classificar Espanha como uma “potência colonial”, defendendo que os territórios deveriam deixar de estar sob controlo espanhol

Francisco Laranjeira

As declarações do analista americano Michael Rubin, que sugeriu uma “nova Marcha Verde” sobre Ceuta e Melilla, estão a gerar forte polémica e reacender o debate sobre a soberania das duas cidades autónomas espanholas.

A informação é avançada pelo site espanhol ’20 Minutos’, que refere que Rubin defendeu, em vários artigos, que Marrocos deveria mobilizar pressão popular semelhante à ocorrida em 1975, quando a chamada Marcha Verde levou à ocupação do Saara Ocidental. O analista foi mais longe, ao sugerir que os EUA deveriam reconhecer a soberania marroquina sobre Ceuta e Melilla.

Rubin tem vindo a classificar Espanha como uma “potência colonial”, defendendo que os territórios deveriam deixar de estar sob controlo espanhol — uma posição que contraria o consenso internacional e que foi amplamente criticada.

Mais adiante, o ’20 Minutos’ destaca que Rubin não é uma figura marginal. Com uma carreira consolidada nos círculos de política externa dos Estados Unidos, é investigador no American Enterprise Institute e tem ligações ao Middle East Forum, dois think tanks influentes em Washington.

O seu percurso inclui também passagens por instituições académicas de referência e funções de aconselhamento a estruturas militares americanas, com especialização em Médio Oriente, Irão e terrorismo internacional.

Um dos momentos mais controversos da sua carreira remonta ao início dos anos 2000, quando integrou o Departamento de Defesa dos EUA. Nesse período, participou na elaboração de relatórios sobre alegadas armas de destruição maciça no Iraque — documentos que serviram de base à invasão de 2003, mas que mais tarde foram amplamente contestados.

Apesar das críticas, Rubin manteve uma posição firme ao longo dos anos, defendendo uma linha dura em matérias de segurança e geopolítica, o que ajuda a explicar o teor das suas declarações mais recentes.

As propostas sobre Ceuta e Melilla surgem, assim, num contexto de crescente tensão geopolítica e de debate sobre fronteiras e soberania, mas levantam preocupações quanto ao impacto diplomático e à estabilidade na região.

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