As declarações do analista americano Michael Rubin, que sugeriu uma “nova Marcha Verde” sobre Ceuta e Melilla, estão a gerar forte polémica e reacender o debate sobre a soberania das duas cidades autónomas espanholas.
A informação é avançada pelo site espanhol ’20 Minutos’, que refere que Rubin defendeu, em vários artigos, que Marrocos deveria mobilizar pressão popular semelhante à ocorrida em 1975, quando a chamada Marcha Verde levou à ocupação do Saara Ocidental. O analista foi mais longe, ao sugerir que os EUA deveriam reconhecer a soberania marroquina sobre Ceuta e Melilla.
Rubin tem vindo a classificar Espanha como uma “potência colonial”, defendendo que os territórios deveriam deixar de estar sob controlo espanhol — uma posição que contraria o consenso internacional e que foi amplamente criticada.
Middle East Forum Observer
"Marruecos debería enviar una nueva Marcha Verde a Ceuta y Melilla"
Pedro Sánchez de España debería cumplir con su retórica anticolonial y poner fin a su ocupación en ÁfricaContinue a ler após a publicidade16 de marzo de 2026
Michael Rubinhttps://t.co/PfPzu243GNEn 1975,…
— Michael Rubin (@mrubin1971) March 16, 2026
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Mais adiante, o ’20 Minutos’ destaca que Rubin não é uma figura marginal. Com uma carreira consolidada nos círculos de política externa dos Estados Unidos, é investigador no American Enterprise Institute e tem ligações ao Middle East Forum, dois think tanks influentes em Washington.
O seu percurso inclui também passagens por instituições académicas de referência e funções de aconselhamento a estruturas militares americanas, com especialização em Médio Oriente, Irão e terrorismo internacional.
Um dos momentos mais controversos da sua carreira remonta ao início dos anos 2000, quando integrou o Departamento de Defesa dos EUA. Nesse período, participou na elaboração de relatórios sobre alegadas armas de destruição maciça no Iraque — documentos que serviram de base à invasão de 2003, mas que mais tarde foram amplamente contestados.
Apesar das críticas, Rubin manteve uma posição firme ao longo dos anos, defendendo uma linha dura em matérias de segurança e geopolítica, o que ajuda a explicar o teor das suas declarações mais recentes.
As propostas sobre Ceuta e Melilla surgem, assim, num contexto de crescente tensão geopolítica e de debate sobre fronteiras e soberania, mas levantam preocupações quanto ao impacto diplomático e à estabilidade na região.













