Calor extremo reacende o inferno em França: fogo alastra e obriga à retirada de populações

Fogo deflagrou nas proximidades de Fréjus, na costa mediterrânica francesa, obrigando à evacuação de várias pequenas localidades e colocando habitações em risco

Francisco Laranjeira

Casas ameaçadas pelas chamas, colunas de fumo negro visíveis a quilómetros de distância e dezenas de bombeiros a tentar travar um incêndio que avança alimentado pelo calor extremo. As imagens captadas este domingo na Riviera Francesa, destacou o ‘The Independent’ mostram um cenário que volta a repetir-se em vários pontos da Europa, onde as temperaturas elevadas e a seca estão a criar condições ideais para novos grandes incêndios.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

O fogo deflagrou nas proximidades de Fréjus, na costa mediterrânica francesa, obrigando à evacuação de várias pequenas localidades e colocando habitações em risco.

Segundo as autoridades locais, o incêndio consumiu cerca de 180 hectares até ao final do dia, impulsionado pelos ventos fortes e pela vegetação extremamente seca.

“O fogo propagou-se com uma rapidez extrema devido à vaga de calor e à seca severa que estamos a atravessar”, afirmou o prefeito da região, Simon Babre.

As imagens mostram grandes chamas a aproximarem-se de moradias construídas nas encostas típicas da Riviera Francesa, enquanto densas nuvens de fumo envolvem pinheiros e ciprestes.

Continue a ler após a publicidade

O incêndio obrigou também à suspensão da circulação ferroviária entre o porto mediterrânico de Toulon e Les Arcs.

Espanha prepara-se para nova vaga de calor

Enquanto França combate as chamas, Espanha prepara-se para enfrentar temperaturas ainda mais elevadas.

A agência meteorológica espanhola (AEMET) prevê uma nova subida dos termómetros já este fim de semana, com máximas que poderão atingir entre 42 e 44 graus em zonas da Andaluzia e de Castela-La Mancha durante a próxima semana.

Os meteorologistas alertam igualmente para um risco extremo de incêndios, provocado pela chegada de uma massa de ar muito quente e seco proveniente do Norte de África.

Continue a ler após a publicidade

Os bombeiros continuam também a combater vários incêndios perto de Madrid e na província de Guadalajara, onde cerca de 1.500 hectares já arderam e um campo de férias teve de ser evacuado por precaução.

Há apenas uma semana, um dos incêndios mais mortíferos de Espanha matou pelo menos 13 pessoas na província de Almería.

Grécia reforça vigilância

Também a Grécia está em alerta máximo.

Na região metropolitana de Atenas, as autoridades reforçaram a vigilância das áreas florestais com drones equipados com câmaras térmicas e posicionaram canhões de água junto de parques de campismo e outras zonas consideradas mais vulneráveis.

Continue a ler após a publicidade

O objetivo é detetar rapidamente qualquer foco de incêndio antes que as chamas se tornem incontroláveis.

Organizações internacionais deixam novo aviso

A Organização Meteorológica Mundial já tinha alertado, no mês passado, que as temperaturas recorde registadas no final de junho iriam aumentar significativamente o risco de grandes incêndios durante o verão europeu.

A combinação entre calor persistente, humidade muito baixa e vegetação seca cria condições particularmente perigosas para a rápida propagação do fogo.

Segundo o Reuters Climate Monitor, a temperatura máxima prevista para Les Arcs, uma das localidades mais afetadas pelo incêndio em França, ronda os 38 graus, cerca de 11 graus acima da média registada para esta altura do ano entre 1961 e 1990.

“O verão ainda agora começou”

Continue a ler após a publicidade

Também a Organização Mundial da Saúde voltou a soar o alarme.

No início deste mês, o diretor regional da OMS para a Europa, Hans Henri P. Kluge, avisou que o continente poderá enfrentar “semanas ainda mais mortíferas” à medida que novas vagas de calor atravessam o Atlântico.

Segundo o responsável, durante a onda de calor que atingiu a Europa no final de junho registaram-se milhares de mortes acima do esperado.

“Quase 10 mil mortes em excesso, e o verão ainda nem sequer terminou”, alertou, criticando os governos por continuarem a tratar o calor extremo como um simples fenómeno meteorológico, em vez de uma verdadeira emergência de saúde pública.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.