Presidente e vereador da Câmara de Valongo acusados de abuso de poder

O Ministério Público (MP) acusou o presidente e um vereador da Câmara de Valongo, distrito do Porto, de abuso de poder, num processo em que os arguidos terão proibido a circulação de camiões até ao aterro de Sobrado.

Executive Digest com Lusa

O Ministério Público (MP) acusou o presidente e um vereador da Câmara de Valongo, distrito do Porto, de abuso de poder, num processo em que os arguidos terão proibido a circulação de camiões até ao aterro de Sobrado.

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Segundo a acusação do Departamento de investigação e Ação Penal (DIAP) do Porto, José Manuel Ribeiro (PS) e o vereador Paulo Ferreira, que detém, nomeadamente, os pelouros das obras municipais e do licenciamento de obras particulares, ordenaram a proibição de circulação de camiões até ao aterro de Sobrado, para, sustenta o MP, levar ao seu encerramento.

As empresas responsáveis pela exploração do aterro instalado naquele concelho, a Retria e a Recivalongo, falam em prejuízos superiores a 1,5 milhões de euros, causados durante os três meses em que a medida esteve em vigor.

“Fiquei verdadeiramente surpreendido com a acusação injusta do Ministério Público acerca de decisões legítimas, legais e coerentes que tomámos exclusivamente para defesa da qualidade de vida e da segurança da população de Sobrado face à atividade do Aterro de Resíduos Industriais”, afirmou José Manuel Ribeiro, numa declaração escrita enviada hoje à agência Lusa.

O autarca disse ainda que vai “requerer a abertura da instrução”, fase facultativa que visa decidir por um juiz de instrução criminal se o processo segue e em que moldes para julgamento.

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A acusação do MP, hoje noticiada pelo Jornal de Notícias (JN), conta que os arguidos sabiam que a Estrada Municipal 606 (EM606) “era a única via para aceder às instalações das sociedades ofendidas” e que a atividade destas “dependia na quase totalidade das matérias transportadas” pelos camiões.

De acordo com o MP, os arguidos ao imporem a proibição fizeram-no “com o propósito concretizado de causar prejuízo às referidas sociedades, impedindo o exercício da sua atividade e para a qual estavam licenciadas”.

O MP sublinha que os arguidos atuaram com “absoluto desprezo pelas funções públicas que exerciam, servindo-se das mesmas para discriminar os veículos que poderiam utilizar a via”.

A acusação relata que, desde 2019, a relação entre o município e as empresas que exploram o aterro foi marcada por conflitualidade.

Nessa sequência, o MP diz que para coagirem as empresas a cessar a sua atividade naquele local, José Manuel Ribeiro e Paulo Ferreira proibiram a circulação de camiões ao longo de quase três quilómetros na única via de acesso ao aterro.

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Era “um troço de mato, sem habitações, escolas ou outros equipamentos, apenas ali existindo as instalações industriais das empresas, com muito escasso trânsito pedonal”, descreve o MP.

Em Setembro de 2020, a Recivalongo comunicou que quer a perda de mandato por abuso de poder político, difamação e incumprimentos do Plano Diretor Municipal do presidente da Câmara de Valongo e executivo, corporizados em “mais de cinco processos-crime”.

As queixas foram apresentadas no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Porto e decorreram de “medidas tomadas pelo executivo desde 2018″.

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