A crise imobiliária na Europa está a provocar dificuldades crescentes para as classes médias dos países encontrarem habitação nos centros das grandes cidades. A construção insuficiente e o turismo excessivo exacerbaram a escassez, enquanto os preços permanecem historicamente altos.
Embora as taxas de juros tenham aumentado, o mercado imobiliário entrou num estado de quase congelamento, com queda nas vendas, escassez de novas construções e preços elevados.
A situação é especialmente grave em cidades invadidas por turistas, onde a classe trabalhadora e média enfrenta dificuldades para encontrar habitação.
Em Portugal, as políticas governamentais tentam dar resposta aos desafios, mas os efeitos da crise são evidentes. E um dos casos apresentados pelo jornal francês ‘Le Monde’ é o de Andreia Costa, uma governanta e carpinteira brasileira, que vive em acampamentos devido à falta de habitação acessível, estando atualmente acampada na Quinta dos Ingleses, em Carcavelos.
Na Grécia, o turismo excessivo exacerbou os problemas, com os preços do arrendamento a aumentarem significativamente. Muitos proprietários optaram por transformar propriedades em arrendamentos de curta duração, contribuindo para a escassez de oferta. Em Itália, Florença é um exemplo, onde o mercado de arrendamento de curto prazo domina, expulsando moradores e aumentando os preços.
Na Suécia e na Alemanha, a complexidade regulatória e a falta de construção pioram a crise. As longas filas por habitação são comuns, especialmente para os jovens. A crise não afeta apenas o bem-estar social, mas prejudica também o crescimento económico. Em Espanha, medidas como o controlo de arrendamento enfrentam resistência, enquanto nos Países Baixos, a ascensão do populismo reflete a frustração com a inação do Governo em lidar com a crise imobiliária.
A crise imobiliária está assim a espalhar-se pela Europa, com efeitos significativos em de Leste até Portugal. As soluções ainda não foram encontradas, e a gravidade da situação exige uma ação decisiva e coordenada para garantir acesso a habitação para todos.
No que respeita aos preços da habitação nos próximos anos, a Agência de classificação Fitch espera “preços estáveis ou com aumento moderado em 2024 e 2025 ”.




