Opus Dei: Papa quer reduzir “poder e independência” da organização dentro da Igreja Católica

O Papa Francisco emitiu um decreto que visa reforma a organização Opus Dei, que é conhecida no mundo, especialmente na Europa e na América Latina, pelas suas posições conservadoras.

Filipe Pimentel Rações

O Papa Francisco emitiu um decreto que visa reforma a organização Opus Dei, que é conhecida no mundo, especialmente na Europa e na América Latina, pelas suas posições conservadoras.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

Com o título “Ad carisma tuendum”, ou “Para proteger o carisma” numa tradução livre para português, o decreto papal foi divulgado em julho e entrou em vigor esta quinta-feira. Especialistas consultados pelo ‘El Mundo’ consideram que a reforma ativada por Francisco tem como objetivo “reduzir o poder e influência” da organização no seio da Igreja Católica.

Um dos peritos explica que Francisco está a seguir o caminho traçado pelo antecessor João Paulo II para reformar a Igreja Católica enquanto instituição e para pôr cobro às lutas de poder internas, tendo a Opus Dei sido uma plataforma relevante para as quezílias entre os membros da igreja.

Os filmes de Hollywood e livros mediáticos têm despertado o interesse popular pela Opus Dei, que muitos consideram ser o verdadeiro centro de poder no Estado do Vaticano, uma alegação que a organização sempre repudiou.

Conta o mesmo jornal espanhol que a Opus Dei foi criada em 1928, pelo padre Josemaría Escrivá de Balaguer, canonizado pelo Papa João Paulo II, que foi criticado por ter conferido essa distinção a uma pessoa que, segundo consta, tinha laços com o regime ditatorial de Francisco Franco, em Espanha.

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

A Opus Dei hoje está espalhada por mais de 60 países e conta com 90 mil membros, entre eles políticos, líderes empresariais e personalidades famosas.

Numa tentativa de tornar mais transparente e responsabilizável uma organização ainda envolta em muitas dúvidas quanto ao seu funcionamento, o Papa Francisco exige agora que a Opus Dei faça chegar ao seu gabinete relatórios anuais sobre as suas dinâmicas e trabalhos internos.

A reforma que agora arranca prevê que o líder da Opus Dei deixe de poder ser nomeado bispo e não poderá envergar as vestes episcopais, uma alteração que Francisco defende que ajudará a estabelecer a norma de que a liderança da organização será orientada pelo carisma do seu responsável do que por um título que derive da hierarquia da Igreja Católica.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.