Nova reviravolta: Cofina lança OPA sobre 100% da dona da TVI

A Cofina, que desistiu em março da OPA sobre a dona da TVI, lançou esta quarta-feira uma nova OPA sobre a totalidade da Media Capital, segundo anunciado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Em comunicado, a dona do Correio da Manhã refere que “a aquisição da Media Capital pela Cofina integra-se na estratégia de consolidação dos media no plano global, mantendo-se no essencial a atividade destas sociedades e das sociedades que com estes estejam em relação de domínio ou grupo, permitindo potenciar o investimento na expansão digital, o lançamento de serviços inovadores e a promoção e desenvolvimento de conteúdos produzidos em Portugal, mantendo-se a Media Capital como um ativo com identidade portuguesa”.

A OPA é uma versão modificada da oferta lançada em setembro de 2019 e a contrapartida oferecida é de 0,415 euros por ação da Media Capital, a que corresponde um valor total de 35.072.969,70 euros.

A operação avalia a dona da TVI em cerca de 130 milhões de euros, um valor muito inferior ao de setembro. Na altura, a operação estava avaliada em 255 milhões de euros, com uma contrapartida de 2,1322 euros por ação.

A oferta está sujeita a quatro condições: que seja designado um auditor independente pela CMVM para calcular o montante da contrapartida, por esta se presumir não-equitativa em face da reduzida liquidez das ações da Média Capital no mercado regulamentado Euronext Lisbon; que esse auditor independente confirme que o valor de referência de € 0,415 é equitativo; que não sejam alienadas participações sociais, ou ativos significativos, da TVI, Plural (Portugal e Espanha) ou MCR, e não sejam realizadas reorganizações societárias na Média Capital ou naquelas sociedades do grupo; e, finalmente, que a CMVM registe a oferta.

A OPA revista não vai precisar de novas autorizações regulatórias, diz a Cofina: “Para efeitos da presente Oferta, o Oferente beneficiará das autorizações regulatórias já previamente obtidas da Autoridade da Concorrência e da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), em 30 de dezembro de 2019 e 21 de fevereiro de 2020, respetivamente”, assegura a empresa em comunicado enviado às redações.

A oferta inclui também uma condição de eficácia, em termos que, até à data e em resultado da liquidação física e financeira da Oferta, a Cofina se torne titular de ações representativas de mais de 50% do capital social e direitos de voto da Média Capital.

Esta não é a primeira vez que a Cofina tenta comprar a Media Capital. Em setembro do ano passado, a empresa lançou uma OPA sobre a dona da TVI, mas em março anunciou a desistência, após falhar a operação de aumento de capital aprovada pelos seus acionistas em 29 de janeiro.

A operação de aumento de capital da Cofina – no montante de 85 milhões de euros – visava financiar a compra da dona da TVI.

No entanto, perante a “deterioração das condições de mercado” e “não tendo sido verificada a condição de subscrição integral do aumento de capital, a oferta ficou sem efeito”, justificou na semana passada a empresa liderada por Paulo Fernandes.

Ou seja, “não se encontram reunidas as condições de que depende a conclusão do negócio de compra e venda das ações da Vertix (e indiretamente da Media Capital)”, justificou a Cofina.

A Prisa, empresa com quem a Cofina estava em negociações para comprar a Media Capital, contestou a posição da Cofina. Exigiu uma indemnização por danos além dos 10 milhões de euros, ainda que a detentora da CMTV tenha rejeitado tal interpretação. 

A 25 de Março, a Cofina solicitou à CMVM o fim da OPA sobre a Media Capital. O regulador indeferiu o requerimento da Cofina, pelo que agora a empresa liderada por Paulo Fernandes modificou os termos da oferta.

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