Polónia acusa Rússia de interferir com sinal GPS e provocar desvio de voo comercial proveniente de Espanha

As autoridades polacas acusaram esta terça-feira a Rússia de estar por detrás das perturbações no sinal GPS que têm afetado vastas regiões do país e que, na segunda-feira, obrigaram ao desvio de um voo comercial proveniente de Alicante, Espanha, com destino a Bydgoszcz, no norte da Polónia.

Pedro Gonçalves
Junho 17, 2025
15:50

As autoridades polacas acusaram esta terça-feira a Rússia de estar por detrás das perturbações no sinal GPS que têm afetado vastas regiões do país e que, na segunda-feira, obrigaram ao desvio de um voo comercial proveniente de Alicante, Espanha, com destino a Bydgoszcz, no norte da Polónia. O caso reacende as preocupações quanto à segurança da aviação civil e das operações militares na região.

O ministro polaco do Interior, Tomasz Siemoniak, foi perentório ao afirmar que «não há dúvida de que a Rússia está envolvida» nas interferências que têm sido registadas tanto sobre o território polaco como na região do mar Báltico. Em declarações citadas pela agência EFE, Siemoniak classificou a situação como «inaceitável» e garantiu que «os serviços polacos estão a lidar com este problema há já bastante tempo». O responsável político alertou ainda para o impacto destas interferências na segurança: «Isto representa um risco para a segurança e para as operações militares, bem como para o tráfego da aviação civil.»

O incidente mais recente ocorreu na segunda-feira, quando um avião da Ryanair, que fazia a ligação entre Alicante e Bydgoszcz, teve de ser desviado para Poznań, no centro da Polónia. O porta-voz do aeroporto de Bydgoszcz, Mateusz Dul, explicou à comunicação social local que «a interferência no sinal GPS forçou o piloto a alterar a rota do avião», provocando um atraso de cerca de três horas.

De acordo com o site GPSJam, que monitoriza interferências em comunicações por satélite, um relatório publicado no domingo já indicava que quase toda a zona norte da Polónia, incluindo Varsóvia e a região do Báltico, estava a ser afetada por este tipo de perturbações.

Além do impacto na aviação civil, as perturbações no sinal GPS estão também a afetar o funcionamento de drones e do transporte terrestre. O serviço polaco de monitorização de alertas Niebezpiecznik alertou para relatos de «muitos drones no norte da Polónia» que «caíam descontroladamente ou voavam a grande velocidade» devido a estas interferências deliberadas.

A Agência Polaca de Navegação Aérea (PAŻP) já emitiu comunicados alertando para os riscos associados a interferências do tipo GNSS, as quais impedem os recetores de GPS de descodificar corretamente os sinais dos satélites. Também a empresa Euro-Tach, fabricante de tacógrafos, denunciou «graves perturbações» nos sistemas de posicionamento utilizados no transporte rodoviário, com registo de erros de localização e direcionamento.

Origem das interferências apontada a Kaliningrado
As suspeitas sobre a origem das interferências recaem sobre o enclave russo de Kaliningrado, localizado no norte da Polónia. Um estudo recente da responsabilidade da Oficina Marítima da Polónia, em colaboração com a Universidade do Colorado, recorreu à instalação de um sistema especial de medição na baía de Gdansk para analisar a propagação destas interferências e tentar localizar a sua origem. O professor Jaroslaw Cydejko, que lidera a investigação, referiu que «tudo indica que os problemas estão a ser provocados a partir de Kaliningrado».

Esta tese é corroborada por Konrad Muzyka, especialista em questões militares, citado pela cadeia de televisão TVN24. Muzyka explicou que naquela região está estacionado o 341.º Centro de Guerra Radioelectrónica do Exército russo. «O que os russos estão a fazer a partir dali é exatamente o mesmo que fazem na Ucrânia, apenas numa escala diferente», sublinhou o perito.

As acusações da Polónia surgem num contexto de crescente tensão entre os países da NATO e a Rússia, num momento em que se acumulam incidentes relacionados com interferências eletrónicas na região do Báltico. As autoridades polacas reforçaram que continuarão a monitorizar a situação e a trabalhar para minimizar os riscos para a aviação e outras infra-estruturas críticas.

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