Netflix: A queda do líder do streaming?

A Netflix (NFLX.US) teve um início humilde. A empresa começou com o aluguer de DVDs por correio em 1997, à medida que os DVDs se tornavam cada vez mais mainstream nos Estados Unidos e a empresa operou nesse modelo até 2007. No entanto, o foco da empresa mudou para o streaming através da Internet. Enquanto a Netflix continuava a alugar DVDs, os seus novos serviços ganhavam cada vez mais subscritores.

Em 2010 a empresa alcançou vários acordos com grandes estúdios de produção cinematográfica e, no mesmo ano, a empresa começou a expandir-se para além dos Estados Unidos, começando a oferecer os seus serviços no Canadá. A expansão acelerou a partir daí e a empresa envolveu-se na produção de filmes e séries. A Netflix é agora uma das empresas de entretenimento mais conhecidas do mundo, oferecendo serviços em mais de 190 países e tendo mais de 220 milhões de assinantes pagos no final de 2021.

 

Fim da pandemia – fim do crescimento exponencial da empresa?

Como a Netflix aumentou a sua base de subscritores, também as vendas e os lucros da empresa aumentaram. A Netflix gerou cerca de 30 mil milhões de dólares de receitas anuais em 2021. O negócio da empresa beneficiou com a pandemia provocada pelo coronavírus, com receitas que aumentaram 24% em 2020 e 18,8% em 2021. As medidas de confinamento provocaram um aumento da procura de vários tipos de produtos de entretenimento, incluindo serviços de streaming. Contudo, à medida que os países começaram a aliviar as restrições rigorosas, o crescimento da Netflix começou a abrandar. A empresa espera um grande abrandamento no crescimento de novos subscritores durante o 1º trimestre de 2022, argumentando também que a concorrência está a retirar quota de mercado à empresa.

 

Um setor em dificuldades

Embora a Netflix tenha advertido que a crescente concorrência dentro da indústria de streaming faz com que as perspectivas de crescimento do número de subscritores sejam sombrias, é importante notar que não é a única empresa no ramo a ter dúvidas sobre o futuro. A Disney também disse que manter taxas elevadas de crescimento de novos assinantes se tornou difícil à medida que o mercado ficou saturado na sequência do boom que aconteceu durante a pandemia. Embora alguns clientes subscrevam serviços de streaming múltiplo de uma só vez para terem acesso a conteúdos exclusivos, nem todos se podem dar a esse luxo e têm de decidir qual deles utilizar. Isto é ainda mais importante agora, uma vez que uma inflação elevada faz com que os consumidores sejam mais cautelosos com as despesas.

 

O que podemos esperar a seguir?

Como os custos estão a aumentar e o crescimento dos subscritores, as empresas de streaming enfrentam uma decisão difícil sobre que estratégia devem adotar para preservar o crescimento dos seus negócios. As empresas de streaming poderiam aumentar os gastos em novas produções a fim de enriquecer a sua carteira e atrair novos clientes. Contudo, também podem visar clientes existentes, mas não “oficiais” e esta parece ser a forma como a Netflix decidiu tomar, aumentando a repressão sobre a partilha ilegal de contas. Esta é uma jogada arriscada – pois os clientes da empresa poderiam passar a começar a pagar comissões, mas também poderiam ponderar outros serviços da concorrência.
Outra alternativa que poderia impulsionar as vendas em tempos de aumento de custos e crescimento mais lento dos subscritores poderia ser a revisão das tabelas dos preços dos planos praticados, sendo que esta estratégia já foi adotada pela Netflix nos Estados Unidos e no Canadá no final de 2021.

Os investidores têm agora de decidir se estes passos podem manter o resultado final a crescer ou se são apenas movimentos desesperados para manter o status quo. As ações da empresa já desvalorizaram mais de 30% este ano, pelo que muitos investidores podem ver isto como uma oportunidade de comprar as ações da empresa.

 

Por analistas XTB

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