A empresária Isabel dos Santos, filha do ex-Presidente de Angola José Eduardo dos Santos, tem, pelo menos, sete inquéritos abertos pelo Ministério Público (MP) contra si, ao que o jornal “Observador” apurou. Em causa estão suspeitas de vários crimes económico-financeiros.
Segundo o “Observador”, o último dos sete inquéritos baseia-se na carta rogatória que Angola emitiu para solicitar a cooperação judiciária de Portugal e que levou ao arresto, em Março, das participações detidas por Isabel dos Santos nas sociedades Nos, Eurobic e Efacec, assim como de todas as contas bancárias em Portugal da empresária, de Mário Leite da Silva, de Paula Oliveira e de Sarju Rainkundalia, ex-chief financial officer da Sonangol.
O MP realizou, ontem, buscas judiciais a vários alvos no âmbito das investigações abertas contra a empresária. Foram autorizadas pelo juiz Carlos Alexandre do Tribunal Central de Instrução Criminal e confirmadas pela Procuradoria-Geral da República.
O “Observador” conta que as autoridades realizaram buscas e apreenderam provas documentais nas diversas sedes das sociedades portuguesas de Isabel dos Santos, com destaque para a Fidequity, com escritórios na Avenida da Liberdade, em Lisboa, ligada a transferências de cerca de 100 milhões de euros da Sonangol para o Dubai.
Os mandatos de busca referem também, segundo o “Observador”, outras sociedades ligadas a Isabel dos Santos, como a Matter Business Solutions e a Burgate.
O ex-advogado da empresária também foi alvo de buscas, na sua casa e numa sala ocupada por si num escritório das Amoreiras. A sociedade de advogados Uría Menéndez Proença de Carvalho, onde José Brito Pereira trabalhava quando o caso Luanda Leaks explodiu, também foi visto pelas autoridades.
O Tribunal de Luanda, recorde-se, decretou em 30 de Dezembro do ano passado o arresto preventivo de contas bancárias e participações sociais de Isabel dos Santos, de Sindika Dokolo, seu marido, e de Mário Filipe Moreira Leite da Silva, ex-presidente do Conselho de Administração do Banco de Fomento de Angola e gestor da empresária.
Nesse processo, o Estado angolano, representado pelo Ministério Público, fez uma extensa fundamentação em que, em traços gerais, sustenta que Isabel dos Santos e o seu marido utilizaram fundos, nomeadamente da Sonangol, para fazerem negócios, reclamando uma dívida superior a mil milhões de euros. Além do arresto de contas bancárias e participações sociais em Angola, foram também arrestadas participações relativas a várias empresas em Portugal.
A empresária é igualmente arguida num processo-crime que está a correr em Angola por alegada má gestão e desvio de fundos durante a passagem pela petrolífera estatal Sonangol.
O Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação revelou em 19 de Janeiro mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de Luanda Leaks, que detalham alegados esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, que lhes terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano através de paraísos fiscais.













