O novo serviço de metrobus do Porto começa a operar este sábado, iniciando uma fase descrita como de “familiarização e ajuste progressivo” antes da consolidação plena da operação regular. A informação foi avançada pela Metro do Porto, que sublinha tratar-se de uma etapa essencial para estabilizar horários, frequências e procedimentos.
Numa primeira fase, o metrobus assegura a ligação entre a Casa da Música e a Praça do Império, num percurso ao longo das avenidas da Boavista e Marechal Gomes da Costa.
Em comunicado, a Metro do Porto destaca o “caminho feito de escuta ativa, trabalho intenso e forte colaboração” que permitiu a entrada em funcionamento do novo sistema.
Segundo a empresa, esta fase inicial é determinante: “Esta fase é essencial para consolidar horários, frequências e procedimentos, preparando o caminho para a operação regular.”
Já em 18 de dezembro tinha sido anunciado que o serviço arrancaria no final de fevereiro, estando igualmente previsto um período experimental gratuito durante o mês de março.
A obra da primeira fase, entre a Casa da Música e a Praça do Império, encontra-se concluída desde o verão de 2024. Já a segunda fase, inicialmente suspensa pela nova administração da Metro do Porto em outubro, foi retomada a 3 de novembro na Avenida da Boavista, no troço compreendido entre o Colégio do Rosário e a Fonte da Moura (Antunes Guimarães).
Esta segunda etapa prolongará o serviço até à zona da Anémona, junto ao Castelo do Queijo, estando a sua conclusão apontada para agosto. Está igualmente prevista a criação de mais espaços verdes no âmbito desta fase.
No final do ano passado, o presidente da Metro do Porto, Emídio Gomes, explicou que o arranque apenas em fevereiro se deveu a vários fatores técnicos.
Entre eles, referiu “itens obrigatórios de testes que já estão a decorrer nos veículos no canal existente, seja no canal dedicado, seja no canal partilhado da Avenida Marechal Gomes da Costa”, incluindo aspetos relacionados com “semaforização” e “segurança”.
Outro fator determinante foi o fornecimento de hidrogénio, combustível que alimenta os veículos. “Nós só temos garantias de fornecimento de hidrogénio a partir de 17, 18 de fevereiro, e daí que, com alguma margem de segurança, estamos a colocar a operação em funcionamento — diria em modo experimental mas já em modelo de operação completo — a partir do final de fevereiro”, afirmou Emídio Gomes.
Até à conclusão da estação de produção de hidrogénio na Areosa — cuja conclusão foi estimada para julho — o abastecimento será assegurado em São Roque da Lameira.
A segunda fase introduz alterações relevantes face ao traçado inicial. Na Avenida da Boavista, será mantido o separador central junto ao Parque da Cidade e, em determinados troços, o metrobus circulará em via partilhada com o restante tráfego automóvel, em vez de dispor de canal totalmente dedicado.
Em dezembro, o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, admitiu que o corredor central poderá até ser alargado.
O autarca justificou as mudanças com a necessidade de um “maior respeito” por uma zona considerada de excelência e particularmente vocacionada para a convivência e usufruto comunitário por parte das famílias e dos portuenses, defendendo a preservação e promoção desse espaço urbano.
Quanto à partilha da via entre o metrobus e os automóveis — tanto na Avenida Marechal Gomes da Costa como no troço entre Antunes Guimarães e o Castelo do Queijo — Emídio Gomes mostrou-se confiante de que a eficiência do sistema não será comprometida.
“Naquilo que é a zona menos crítica que todos conhecemos em termos de circulação viária, que é o troço entre Antunes Guimarães e a rotunda do Castelo do Queijo, e também com a anuência e o acordo da STCP, parece-nos que a operação ali entre Antunes Guimarães e o Castelo do Queijo em via partilhada é muito menos penalizada do que nos outros locais”, considerou.
O metrobus do Porto é composto por autocarros movidos a hidrogénio e assegurará a ligação entre a Casa da Música e a Praça do Império em cerca de 12 minutos. Quando estiver concluída a segunda fase até à Anémona, o percurso deverá ser realizado em aproximadamente 17 minutos.
O investimento global do projeto ascende a 76 milhões de euros, financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência, pelo Fundo Ambiental e pelo Orçamento do Estado.
Com o arranque oficial este sábado, o Porto entra numa nova etapa do seu sistema de mobilidade, apostando num modelo de transporte sustentável que será agora testado em contexto real antes da consolidação da operação regular.







