Lukashenko admite partilhar o poder na Bielorrússia

O presidente bielorrusso, no poder há 26 anos, já fez saber que rejeita categoricamente a possibilidade de realizar novas eleições presidenciais.

Simone Silva

O Presidente da Bielorússia, Aleksander Lukashenko, disse esta segunda-feira que não haverá novas eleições, apesar dos apelos da oposição e dos protestos contra o governo em todo o país, de acordo com a agência de notícias Belta citada pela ‘Reuters’.

«Nunca devem esperar que eu faça alguma coisa sob pressão», disse Lukashenko, acrescentando: «As novas eleições não vão acontecer. Já fizemos eleições. Até que me matem, não haverá outras», disse o responsável num discurso aos trabalhadores em greve, numa fábrica de máquinas agrícolas.



Ainda assim o Presidente bielorrusso admite ser possível alterar a Constituição, para que aconteça uma eventual partilha de poder, sem querer dar muitos detalhes. «Não podemos entregar esta Constituição sabe Deus a quem. Porque aconteceriam desastres», afirmou Lukashenko, com os funcionários a gritar insistentemente «vai-te embora». No fim do discurso o responsável agradeceu.

A principal adversária nas eleições presidenciais da Bielorrússia disse esta segunda-feira estar pronta para assumir a liderança do país.

“Eu não queria ser política. Mas o destino decretou que eu estaria na linha de frente de um confronto contra regras arbitrárias e injustiças”, disse Svetlana Tikhanovskaya, que está refugiada na Lituânia. “Estou pronta para assumir responsabilidades e atuar como líder nacional durante este período”, acrescentou.

Svetlana Tikhanovskaïa referiu-se à votação como uma fraude, depois de a Comissão Eleitoral lhe ter atribuído 10% dos votos.

No meio das tensões entre a população e o governo da Bielorússia está marcada uma reunião de emergência do Conselho Europeu por videoconferência, para a próxima quarta-feira, às 12 horas. Charles Michel, presidente do órgão considera que «a população bielorrussa tem o direito a decidir sobre o futuro e eleger livremente o seu líder».

«A violência contra manifestantes é inaceitável e não pode ser permitida», acrescentou o responsável numa publicação na sua conta de Twitter. Recorde-se que na última sexta-feira os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE aprovaram a elaboração de uma lista de figuras do regime bielorrusso a quem deverão ser impostas sanções.

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