A Web Summit anunciou esta segunda-feira que tem um novo rosto à frente do evento. Katherine Maher é a nova CEO, sucedendo a Passy Cosgrave, que se demitiu recentemente após comentários sobre o conflito em Israel que geraram polémica e levaram a uma ‘debandada’ de empresas e onda de cancelamentos no evento, que tem lugar em Lisboa, entre 13 e 16 de novembro.
Katherine Maher, de 40 anos, é natural de Wilton, no estado norte-americano do Connecticut, mas é filha de irlandeses. Trabalhou no Banco Mundial e na NICEF, sendo que anteriormente liderou a Fundação Wikimedia, a organização sem fins-lucrativos que sustenta a Wikipédia, e que conta com mais de mil milhões de utilizadores diários.
A agora CEO da Web Summit desempenha também funções no conselho de administração da plataforma de mensagens Signal, para além de ser investigadora não-residente no Conselho do Atlântco, na especialidade de democracia e tecnologia, jovem-líder global no Fórum Económico Mundial e ainda investigadora de segurança no Projeto de Segurança Nacional Truman.
“A nossa tarefa imediata é voltar o foco para o que fazemos de melhor: promover o diálogo entre todos aqueles ligados ao avanço tecnológico”, anunciou a nova CEO da Web Summit.
“Estou entusiasmada por me juntar à Web Summit, porque acredito na missão da Web Summit de ligar pessoas e ideias que mudam o mundo. Num presente onde a tecnologia está interligada em todos os aspetos da nossa vida, e num futuro onde representa a nossa maior esperança e o nosso maior disruptor, o papel da Web Summit como local de ligação e conversa é mais importante do que nunca”, aponta Maher em comunicado.
Na informação disponível no ‘site’ da Web Summit, é realçado que durante o seu mandato Khaterine Maher levou um “sucesso sem precedentes ao movimento Wikimedia e ajudou a solidificar a reputação da Wikipédia como uma fonte confiável de conhecimento gratuito em todo o mundo”.
A administração anunciou também que nomeou Damian Kimmelman como administrador não executivo da Web Summit.
Kimmelman foi cofundador de diversas empresas e organizações nos Estados Unidos e na na Europa, incluindo a startup Batelle e a organização sem fins lucrativos FoundersPledge.com.
Paddy Cosgrave, irlandês-americano que é um dos cofundadores da Web Summit, demitiu-se uma semana após, a 13 de outubro, na rede social X (antigo Twitter), escrever uma publicação que resultou numa onda de críticas. “Estou impressionado com a retórica e as ações de tantos líderes e governos ocidentais, com a exceção particular do Governo da Irlanda, que pela primeira vez estão a fazer a coisa certa. Os crimes de guerra são crimes de guerra mesmo quando cometidos por aliados, e devem ser denunciados pelo que são”, destacou Cosgrave.
Depois disso, na terça-feira, Paddy Cosgrave pediu desculpas pelas suas declarações relativas ao conflito entre Israel e o Hamas, lamentando não ter transmitido “compaixão”, e disse esperar que a paz seja alcançada. O pedido de desculpas não veio impedir a Google, Meta ou Amazon, para além de outros ‘gigantes’ da indústria tecnológica, de cancelarem a sua participação no evento.
A Web Summit vai decorrer em Lisboa de 13 a 16 de novembro, sendo esperadas 2.600 ‘startups’ e cerca de 70 mil participantes.




