Irão: Filho do Xá cria comité de justiça de transição liderado por Nobel da Paz

O herdeiro exilado do último Xá do Irão, Reza Pahlavi, anunciou hoje a criação de um comité de justiça de transição, que será presidido por Shirin Ebadi, vencedora do Prémio Nobel da Paz em 2003.

Executive Digest com Lusa

O herdeiro exilado do último Xá do Irão, Reza Pahlavi, anunciou hoje a criação de um comité de justiça de transição, que será presidido por Shirin Ebadi, vencedora do Prémio Nobel da Paz em 2003.


“Hoje, com orgulho e um compromisso com a justiça para cada um de vós, estabeleci um comité encarregado de elaborar o quadro regulamentar para a justiça de transição. Este comité será responsável por elaborar o quadro regulamentar para uma comissão da verdade e da justiça”, escreveu Pahlavi na rede social X.


A advogada de 78 anos e laureada com o Prémio Nobel da Paz em 2003, Shirin Ebadi, “concordou em presidir a este comité”, acrescentou.


O escritor Iraj Mesdaghi, a jurista Leyla Bahmany e o filósofo Afshin Ellian também farão parte do comité, em representação de “quatro gerações de especialistas iranianos”, segundo Pahlavi.


O príncipe herdeiro, que não visita o Irão desde a revolução de 1979 que derrubou a monarquia, lidera um dos vários movimentos de oposição a partir do estrangeiro e apresenta-se como uma alternativa caso o regime iraniano caia, no seguimento da ofensiva aérea dos Estados Unidos e Israel em curso desde 28 de fevereiro contra a República Islâmica.

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Pahlavi voltou a ganhar destaque no país e no exterior durante o último movimento de protestos no Irão, em janeiro, que foi brutalmente reprimido pelas autoridades de Teerão, com o registo de dezenas de milhares de mortos e detidos.


No sábado, declarou que está pronto para liderar o país “assim que a República Islâmica caia” e que está a trabalhar para selecionar indivíduos, tanto dentro como fora do Irão, para fazerem parte do que chamou um sistema de transição.


O processo de seleção está a ser liderado por Saeed Ghasseminejad, conselheiro-chefe para assuntos iranianos do ‘think tank’ (grupo de reflexão) norte-americano Fundação para a Defesa das Democracias e acérrimo opositor da República Islâmica.

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O filho do último Xá ainda não conseguiu porém o apoio do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que nunca se encontrou oficialmente com ele e expressou repetidamente ceticismo sobre a sua capacidade para liderar o país.


“Estão a falar do filho do Xá… mas ele não está lá [no Irão] há muitos, muitos anos”, afirmou Donald Trump recentemente.


O líder da Casa Branca aludiu também ao cenário de uma solução interna inspirada na Venezuela, onde as forças norte-americanas capturaram em janeiro o Presidente Nicolás Maduro, que foi substituído pela sua vice, Delcy Rodríguez.


Tanto as lideranças de Washington como de Telavive têm repetido que um dos objetivos da sua ofensiva é reunir condições para o povo iraniano se levantar e derrubar o regime.


Sob ataque israelo-americano, altos dirigentes iranianos desafiaram as ameaças aéreas e marcharam na sexta-feira pelo centro de Teerão, procurando demonstrar força e unidade, mas o novo líder supremo não era um deles.

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Várias figuras ligadas ao regime relataram que Mojtaba Khamenei ficou ferido no mesmo bombardeamento que matou o pai e antecessor, Ali Khamenei, logo no primeiro dia dos ataques a Teerão.


Na quinta-feira, fez o seu primeiro discurso à nação, que foi lido por uma apresentadora na televisão iraniana, indicando que os elementos nomeados por Ali Khamenei deveriam “continuar a exercer as suas funções”.


O secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, também disse que Mojtaba Khamenei ficou ferido e provavelmente desfigurado, uma versão contrariada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, que, no sábado, afirmou que “não há qualquer problema com o novo líder supremo”.


O Presidente dos Estados Unidos comentou que ignorava se o clérigo estava vivo, instando-o, em caso afirmativo, a render-se.


O Departamento de Estado norte-americano divulgou uma recompensa de 10 milhões de dólares (8,7 milhões de euros) por informações que levem à localização de alguns dos principais líderes iranianos, em particular da Guarda Revolucionária, numa lista que inclui o novo guia supremo.


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