Julgamento de jovem acusado de instigar massacres no Brasil decorre à porta fechada

O Tribunal da Feira, no distrito de Aveiro, começou hoje a julgar à porta fechada um jovem de 18 anos acusado de ter instigado massacres em escolas no Brasil, incluindo um em que morreu uma adolescente.

Executive Digest com Lusa
Fevereiro 19, 2026
11:01

O Tribunal da Feira, no distrito de Aveiro, começou hoje a julgar à porta fechada um jovem de 18 anos acusado de ter instigado massacres em escolas no Brasil, incluindo um em que morreu uma adolescente.

O coletivo de juízes determinou que o julgamento se fizesse com exclusão de publicidade, permitindo apenas a assistência das pessoas que tiverem de intervir no julgamento.

O arguido, que está em prisão preventiva desde que foi detido em maio de 2024, está acusado na modalidade de instigação, de um crime de homicídio qualificado, seis tentativas de homicídio e três de morte e maus tratos de animal de companhia.

Responde também por um crime de instigação pública a um crime, um de apologia pública de um crime, um de associação criminosa, 224 de pornografia de menores, incluindo 18 agravados, um de incitamento ou ajuda ao suicídio agravado, quatro de coação agravada e um de discriminação e incitamento ao ódio e à violência.

O jovem é suspeito de liderar um grupo na rede social Discord, no qual incitava adolescentes à prática, com transmissão em direto, de atos violentos contra si próprios, outras pessoas e animais de estimação.

Entre estes, está a instigação de quatro massacres em escolas no Brasil, incluindo o que ficou conhecido como o Massacre de Sapopemba, em São Paulo, no qual um adolescente de 16 anos matou a tiro uma colega de 17 e feriu outros três estudantes, em 23 de outubro de 2023.

Os restantes três foram travados pelas autoridades antes de acontecerem e os seus eventuais autores teriam 12, 13 e 14 anos.

Segundo o Ministério Público, o jovem residente em Santa Maria da Feira terá ainda, no mesmo grupo, planeado o homicídio de um sem-abrigo em São Paulo, em fevereiro de 2024, e incentivado e permitido a transmissão em direto de maus tratos a animais, bem como a automutilações dos adolescentes.

O objetivo dos autores dos atos seria obterem reconhecimento do jovem e subirem na hierarquia da comunidade ‘online’.

Algumas menores terão sido coagidas a praticar os atos depois de terem sido ludibriadas a enviarem fotografias íntimas.

O grupo, com presença noutras plataformas, terá igualmente servido para o suspeito partilhar pornografia de menores e difundir conteúdos de ódio contra pessoas homossexuais e negras, tendo chegado a partilhar imagens suas com uma farda nazi e uma caçadeira.

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