Donald Trump presidiu, em Washington, à primeira reunião do recém-criado Conselho de Paz de Gaza, um organismo impulsionado pelos EUA para supervisionar o plano de reconstrução do enclave palestiniano e que o presidente americano quer transformar no principal fórum mundial de resolução de conflitos. O líder da Casa Branca não escondeu o tom ambicioso e assertivo durante a cimeira inaugural.
Logo na abertura, Trump classificou o momento como “um grande dia” e apresentou números: nove membros já prometeram 7 mil milhões de dólares (cerca de 6,4 mil milhões de euros) para a reconstrução da Faixa de Gaza. Os EUA, segundo anunciou, contribuirão com mais 10 mil milhões de dólares (aproximadamente 9,2 mil milhões de euros), embora sem detalhar calendário ou formato das verbas.
“O conselho mais prestigioso já criado”
De acordo com o ’20 Minutos’, estiveram presentes representantes de mais de 40 países. Trump descreveu o novo organismo como “o conselho diretor mais importante” em termos de poder e prestígio, garantindo que “nunca houve nada igual”. O presidente deixou ainda uma mensagem para os aliados que recusaram o convite: “Quase todos concordaram em participar, e aqueles que não concordaram, eventualmente concordarão.”
O Conselho de Paz nasce com mandato centrado no plano americano para Gaza, mas Trump procurou alargar o seu alcance simbólico, recordando mediações recentes da Casa Branca, como entre Azerbaijão e Arménia ou entre Índia e Paquistão. No que toca ao Médio Oriente, foi direto: “Não pode haver paz se o Irão tiver armas nucleares.”
Tropas internacionais e nova polícia em Gaza
O diretor-geral do Conselho, Nikolai Mladenov, anunciou a criação de um Gabinete do Alto Representante para Gaza, destinado a coordenar a reconstrução com as autoridades locais e países vizinhos. Segundo o ’20 Minutos’, está em curso o recrutamento de uma nova força policial palestiniana de transição, apoiada pelo Conselho e treinada no Egito e na Jordânia.
O general americano reformado Jasper Jeffers detalhou o dispositivo de segurança previsto: 20.000 soldados de estabilização, fornecidos por países como Indonésia, Marrocos, Cazaquistão, Kosovo e Albânia, e 12.000 polícias treinados regionalmente. A desmilitarização de Gaza foi apontada como condição essencial para a reconstrução.
“Reconstruiremos Gaza como deveria ser”
O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, membro do comité executivo do Conselho, apresentou a visão estratégica: “Reconstruiremos Gaza não como era, mas como deveria ser.” O plano prevê uma administração autónoma com instituições eficazes, uma nova força policial, incentivo ao investimento privado e um sistema educativo orientado para a tolerância e o desenvolvimento tecnológico.
Blair defendeu que apenas um modelo institucional estável e economicamente viável permitirá prosperidade para a população palestiniana, independentemente de religião ou origem.
Apoios, ausências e críticas europeias
Entre os chefes de Estado e de Governo presentes destacaram-se Javier Milei, da Argentina, e Viktor Orbán, da Hungria, ambos elogiados por Trump. Também marcaram presença representantes do Bahrain, Egito, Indonésia, Kosovo, Albânia, Qatar e outros países.
A União Europeia participou apenas como observadora, através da comissária para o Mediterrâneo, Dubravka Šuica. França e Reino Unido optaram por não comparecer, temendo que o novo Conselho possa criar uma estrutura paralela às Nações Unidas. Fontes diplomáticas citadas pelo ’20 Minutos’ revelaram ceticismo quanto ao risco de legitimar um mecanismo alternativo ao sistema multilateral tradicional.
A primeira fotografia oficial da cimeira evidenciou forte protagonismo americano, com Trump ladeado por JD Vance, Marco Rubio, Jared Kushner, Steve Witkoff e Susie Wiles.
O Conselho de Paz de Gaza surge, assim, como uma aposta estratégica de Washington para liderar o pós-conflito. Resta saber se conseguirá consolidar apoios internacionais e traduzir promessas financeiras em resultados concretos no terreno.














