Inovação e tecnologia para um mundo sem fumo

A inovação está no centro da estratégia da BAT, combinando ciência, tecnologia e responsabilidade para desenvolver produtos sem combustão que apoiam a transição dos fumadores adultos, conciliando saúde pública, sustentabilidade e crescimento económico.

Executive Digest
Fevereiro 26, 2026
11:06

A inovação está no centro da estratégia da BAT, combinando ciência, tecnologia e responsabilidade para desenvolver produtos sem combustão que apoiam a transição dos fumadores adultos, conciliando saúde pública, sustentabilidade e crescimento económico.

Frederico Monteiro, director Regional para a América e Europa da British American Tobacco (BAT), partilha a visão estratégica da empresa numa altura em que o grupo está a acelerar a sua transformação para um futuro predominantemente sem fumo.



Nesta entrevista, o responsável explica como a BAT está a investir em inovação, ciência e regulação responsável para o desenvolvimento de novas alternativas, sublinhando a importância do papel do modelo Omni™ na promoção da transparência científica e reflectindo sobre a forma como mercados como a Suécia e Portugal estão a ajudar a demonstrar o impacto real das Novas Categorias na saúde pública e no crescimento sustentável.

A BAT tem vindo a reforçar o investimento em Novas Categorias. Qual o seu peso estratégico e de que forma transformaram o negócio?

As Novas Categorias são hoje centrais na estratégia da BAT, impulsionando o crescimento sustentável e a ambição de ser uma empresa predominantemente sem fumo até 2035. Produtos sem combustão, como vaping, tabaco aquecido e bolsas de nicotina, já representam cerca de 18% da receita do grupo e contribuem com 7,1% da margem. Mais de 29 milhões de consumidores adultos já fizeram a transição, rumo ao objectivo de 50 milhões até 2030.

Esta mudança redefine a identidade da BAT. Apesar da sua história centenária, a empresa está orientada para o futuro, com o propósito de construir Um Amanhã Melhor, através de novas alternativas para consumidores adultos, razão pela qual temos investido em inovação e transformado o nosso portefólio. Em 2025, a BAT superou as previsões, com crescimento na receita e lucro operacional ajustado, esperando novas revisões em 2026, impulsionadas por novos lançamentos.

O que explica este dinamismo e como planeiam acelerar esta transição nos próximos anos?

O investimento em Novas Categorias parte de vários factores: da crescente procura dos consumidores adultos por alternativas à nicotina, da inovação científica e tecnológica contínua e da evolução regulamentar que reconhece o impacto na saúde pública. Os fumadores adultos estão mais informados e motivados a mudar, desde que existam opções cientificamente fundamentadas. Investimos fortemente em I&D para melhorar o desempenho e a segurança dos produtos, adaptando-os às necessidades regionais e regulamentares. O nosso objectivo é alcançar 50 milhões de utilizadores adultos de produtos sem combustão até 2030, um marco no caminho para um Mundo Sem Fumo.

O conceito de Inovação é central na estratégia global da BAT. Porquê?

A inovação na BAT significa oferecer alternativas seguras e cientificamente sustentadas a consumidores adultos que, de outra forma, continuariam a fumar. A nossa abordagem multicategoria assegura que cada produto é desenvolvido com rigor, permitindo escolhas informadas – e reforçando que o ideal é deixar de fumar ou não começar – demonstrando que é possível conciliar saúde pública, inovação e crescimento.

Em 2025, implementámos o modelo Omni™, uma plataforma global de conhecimento científico e regulamentar que alinha as novas categorias, garantindo que cada lançamento tem evidência científica. Esta transformação reflecte a nossa evolução, combinando ciência, tecnologia e responsabilidade social.

Os robustos investimentos em I&D já permitiram que mais de 29 milhões de adultos transitassem para os nossos produtos sem combustão. Experiências internacionais validam esta estratégia e mostram que estamos no bom caminho: a Suécia é um exemplo de sucesso, onde a transição para alternativas de nicotina resultou numa taxa de fumadores de cerca de 5%, tornando-se um dos primeiros países sem fumo do mundo. Este sucesso deve-se à disponibilidade de produtos, consciencialização e um enquadramento regulamentar adequado. O Reino Unido também reforça esta evidência, mostrando como é possível alinhar inovação, necessidades dos consumidores e saúde pública eficazmente.

Que evidência científica existe hoje para apoiar a existência de produtos alternativos?

Estudos independentes e internos demonstram que os produtos de vaping e de tabaco aquecido expõem os utilizadores a níveis significativamente mais baixos de substâncias tóxicas nocivas quando comparados com os cigarros tradicionais. A BAT realizou mais de 250 estudos científicos – incluindo ensaios clínicos, avaliações toxicológicas e investigação sobre consumidores adultos – que são publicados de forma transparente através da nossa plataforma Omni™. Embora nenhum produto seja isento de risco, defendemos a transição completa para alternativas sem combustão.

Do ponto de vista regulamentar, considera que os governos estão a acompanhar esta transformação ou ainda existe resistência em reconhecer o potencial das Novas Categorias?

O progresso regulamentar é desigual. Países como a Suécia, o Reino Unido e vários estados dos EUA demonstram que políticas pragmáticas e sustentadas em ciência podem gerar resultados excepcionais na mudança de padrões de comportamento. Contudo, outros mercados mantêm-se cautelosos devido a estruturas regulamentares desactualizadas ou por falta de conhecimento sobre a diferença entre produtos com e sem combustão. É crucial supervisionar estes mercados e assegurar uma regulamentação fundamentada em evidência científica, que reflicta o consenso científico, possibilite a escolha informada dos consumidores adultos e a inovação responsável.

Que desafios enfrenta a BAT na comunicação destes produtos?

O principal obstáculo reside na educação dos consumidores adultos e na superação de percepções erradas. Muitos desconhecem a sua existência ou não compreendem a diferença face ao tabaco tradicional. As restrições regulamentares à comunicação limitam ainda mais o acesso à informação sobre as características destes produtos. A nossa prioridade é actuar sempre dentro dos quadros legais, com comunicação responsável e transparente, fornecendo informação rigorosa e cientificamente sustentada. Criar consciencialização e confiança é essencial, pois a inovação, por si só, não basta para acelerar a transição para um Futuro Sem Fumo. É essencial oferecer soluções realistas e científicas que permitam esta transição.

Que avanços tecnológicos destacaria nos últimos anos?

Estamos também a tirar partido da digitalização e da inteligência artificial para optimizar a qualidade e a segurança dos nossos produtos. Por exemplo, desenvolvemos um sistema de reconhecimento facial para impedir a compra de produtos de nicotina por menores em pontos de venda, já implementado em alguns países com o objectivo de alargá-lo progressivamente. O nosso centro de I&D de última geração no Reino Unido, com mais de 400 especialistas, demonstra o compromisso da BAT em liderar a inovação. Estas tecnologias melhoram a qualidade dos produtos, como também apoiam o cumprimento regulamentar e a segurança dos consumidores, reforçando a nossa visão na Redução de Danos.

De que forma as Novas Categorias contribuem para os objectivos ESG da BAT?

As Novas Categorias estão intrinsecamente ligadas à nossa agenda ESG. Reduzir a dependência dos cigarros tradicionais contribui para diminuir o impacto ambiental, desde a produção até aos resíduos. A inovação e a ciência estão no centro desta transformação, com um investimento anual de cerca de 300 milhões de libras em I&D. Os nossos laboratórios operam sob rigorosos padrões GLP e GCP, assegurando a sua segurança e eficácia. Temos um dos centros de inovação mais avançados da indústria em Southampton e inaugurámos recentemente um novo centro de I&D em Inglaterra. A sustentabilidade é prioridade, com compromissos de reduzir 50% as emissões de gases com efeito de estufa (Scope 1 e 2) até 2030, usar 50% de energia renovável e ter todas as embalagens plásticas reutilizáveis/recicláveis/compostáveis até 2025. Trabalhamos com fornecedores para práticas agrícolas sustentáveis e cadeias de fornecimento éticas. As Novas Categorias são essenciais para os compromissos ESG, ao oferecer alternativas de risco potencialmente reduzido que apoiam a saúde pública, a sustentabilidade ambiental e o negócio a longo prazo.

A BAT opera em mais de 180 países. Como é que esta escala internacional influencia a estratégia de inovação e a adaptação das Novas Categorias aos diferentes mercados?

A escala global da BAT é um activo estratégico fundamental influenciando directamente o desenvolvimento das Novas Categorias. Operar em mais de 180 países permite-nos criar, testar e aperfeiçoar soluções em mercados com perfis de consumidores, contextos culturais e enquadramentos regulamentares muito distintos. Assim, as Novas Categorias são adaptadas às realidades locais antes de uma implementação mais alargada. abordagem é reforçada pela diversidade interna da organização – com mulheres a ocupar 60% dos cargos de liderança na Europa Ocidental e cerca de 40% globalmente – impulsionando uma inovação mais informada e responsável. Assentes em evidência científica e nas expectativas dos consumidores, estas categorias evoluem consistentemente, apoiando o nosso objectivo de construir um Futuro Sem Fumo.

Qual é, na sua opinião, o papel que Portugal e a Europa ocupam no ecossistema de I&D da BAT para as Novas Categorias?

A Europa desempenha um papel central no ecossistema de inovação da BAT para as Novas Categorias, sendo uma região onde a ciência, a inovação e enquadramentos regulamentares pragmáticos podem convergir.
Mercados como a Suécia tornaram-se uma referência internacional, demonstrando como esta combinação acelera esta transição. Neste contexto, Portugal afirma-se como um hub estratégico para a inovação e para a liderança da transformação da BAT. O dinamismo do mercado português torna o país num parceiro relevante, com as Novas Categorias a representarem cerca de 50% da receita da BAT em Portugal. Este papel reforça o nosso contributo e o do país para construir um Futuro Sem Fumo.

O que nos pode dizer sobre a visão da BAT para os próximos 10 anos?

A nossa visão é liderar a inovação em Redução de Danos, impulsionada por uma equipa global de mais de 1.600 cientistas. Acreditamos que a Europa, incluindo Portugal, desempenhará um papel crucial, dado o seu enquadramento regulamentar e abertura a novas alternativas. Ambicionamos que o nosso portefólio evolua decisivamente para produtos sem combustão, apoiado por ciência, transparência e responsabilidade. Estamos também a explorar oportunidades para além da nicotina, garantindo um crescimento diversificado, sustentável e alinhado com a nossa ambição de alcançar um Mundo Sem Fumo.

Este artigo faz parte da edição de Fevereiro (n.º 239) da Executive Digest.

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